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“Se entrar 20 ou 30 reais eu tenho que aceitar. Preciso comer”, diz garota de programa

Foto: Reprodução.

Quarentena negada

Mulheres e homens que não possuem autonomia sobre a própria atividade estão também entre os casos em que a exposição é inevitável, mesmo no contexto atual. O caso de Luísa é diferente. Ela mora em um terreno que comprou com o dinheiro conquistado ao longo dos anos. Mesmo reclamando das condições da casa, – “a telha está velha e entra água quando chove” – ela trabalha por conta própria, sem sofrer exploração. Realidade distante de muitas prostitutas que vivem em albergues ou quitinetes mantidas por cafetões ou cafetinas que, apesar do avanço da pandemia e a necessidade da quarentena, estão exigindo o pagamento das diárias e obrigando-as a trabalhar, conforme noticiados pelos órgãos competentes.

“A exploração acontece porque a maioria são jovens em vulnerabilidade e muitas pessoas aproveitam a força de trabalho delas.” explica Priscila nome fictício), garota de programa

“Se entrar 20 ou 30 reais eu tenho que aceitar e voltar para casa. Preciso comer. Compro uma bandeja de frango temperada, alguns legumes, e sobrevivo”, Luísa (nome fictício), Prostituta, 39 anos

Impactos muito além do bolso

No Estado do Rio de Janeiro, a Casa Nem acolhe 62 pessoas LGBTI em situação de vulnerabilidade, em nove ocupações. Além destas, 85 outras são atendidas externamente, sendo 25 profissionais do sexo que trabalham na Lapa, região central da capital fluminense. Idealizadora da instituição e ativista transvestigenere, Indianare Siqueira lida de perto com a rotina e vivências desse grupo. Ela alerta para os impactos psicológicos que a pandemia do coronavírus pode acarretar em pessoas que já são marginalizadas socialmente.

“Saúde mental completamente abalada. A maioria tem que pagar aluguel e aí começa a pressão dos proprietários, mesmo de quem as exploram. É bem complicado. Fora isso, tem todo o estigma contra essas profissionais. A gente traz a experiência da época do HIV/Aids no final dos anos 80 até os anos 2000. Quando estoura uma epidemia, a gente sabe que afeta diretamente a população LGBTI e também quem vive do trabalho sexual”, reflete.

Redes de apoio

Longe de ser uma realidade só do Brasil, o impacto da pandemia no mercado sexual é sentido em todos os quatro cantos do mundo, onde estima-se que 40 milhões de pessoas vivam na prostituição. Na Nova Zelândia, garotas de programa chinesas tiveram que baixar o preço dos programas pela metade. Em Amsterdã, a prefeitura limitou as visitas guiadas ao Distrito da Luz Vermelha – mais famoso e organizado mercado de prostituição do mundo. Na Bolívia, prostitutas protestaram contra o toque de recolher imposto pelo governo alegando que precisam cuidar de suas famílias. Na Argentina, ONGs também trabalham na distribuição de cartilhas com orientações de prevenção, incluindo as posições sexuais mais recomendadas em caso da impossibilidade da realização da quarentena. No Brasil, instituições também já começaram a formar suas redes de apoio.

Prostituição como profissão

Em meio a realidades diferentes, Indianare, Bruna, Keila e Luísa concordam que muitos dos riscos citados aqui poderiam ser evitados caso a prostituição fosse regulamentada como profissão, além de servir no combate à exploração.

Enquanto o poder público cria secretarias para cabide de emprego, dizendo que cuida deste seguimento e não dando importância. Indianare (nome fictício), acredita que a solidariedade de pessoas autônomas é um dos melhores remédios para enfrentar o atual momento: “Ela sempre será a nossa melhor e maior solução. É ela que salva a vida em momentos de crise”.

*Luísa, Priscila e Indinare são nomes fictícios usado para preservar a identidade das entrevistadas

Reportagem: Johnny Almeida

Produção: Almeida

Da redação:

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