“Se essa festa acabar, eu vou morrer”, declara Mestre Jair Mendes em Audiência Pública na Câmara

Nesta quarta-feira, 11 de maio, o Plenário Raimundo Almada foi palco de uma Audiência Pública para discutir e debater os mais diversos assuntos relacionados ao Festival Folclórico de Parintins

Nesta quarta-feira, 11 de maio, o Plenário Raimundo Almada foi palco de uma Audiência Pública para discutir e debater os mais diversos assuntos relacionados ao Festival Folclórico de Parintins. O objetivo do debate é unir vereadores, autoridades municipais e estaduais, segmentos do ramo de hotelaria, culinária, agências de viagens, associações de bairros, representantes das agremiações folclóricas boi bumbá Garantido e Caprichoso, artistas dos bumbás e a população em geral em defesa do fortalecimento da maior festa folclórica do Norte do Brasil.

A discussão foi comandada pelo vereador Juliano Santana (PDT) e contou com a participação dos vereadores Mateus Assayag (PR), Vanessa Gonçalves (PROS) e Nelson Campos (PRTB); de representantes dos bois Garantido e Caprichoso; da Coordenadora Municipal de Cultura Sandra Vasconcelos e dos mais diversos segmentos do município.

O artista do boi bumbá Caprichoso, Jair Mendes, evidenciou que o Festival de Parintins garante emprego, renda e desenvolvimento para a cidade. “Não temos um Distrito Industrial, mas temos a arte e precisamos muito dela. Se essa festa acabar eu vou morrer, porque eu vivo em função dela”, declarou Mendes.

O artista do boi bumbá Garantido, Ito Teixeira, disse que os artistas das duas agremiações folclóricas trabalham com dedicação e satisfação, mesmo diante desta crise financeira vivenciada em todo o Brasil. “O nosso Festival não é dinheiro, é amor e paixão e vamos preservar nossa festa sim. Não vamos deixar ninguém tirar uma noite do Festival, senão estaremos caminhando para o fim. Por isso, temos que decidir aqui o que deve acontecer aqui”, afirmou.

A Coordenadora Municipal de Cultura Sandra Vasconcelos frisou que o Festival Folclórico de Parintins é o maior patrimônio do povo parintinense. Segundo ela, todos devem estar unidos em favor dessa manifestação folclórica. Ela quer que o município de Parintins tenha autonomia do seu próprio Festival.

O diretor administrativo do Boi Caprichoso, Elias Michiles, declarou ser inaceitável a afirmativa de que o Secretário de Estado de Cultura Robério Braga em nenhum momento disse que uma noite do Festival de Parintins seria cancelada. “Nossa causa é honesta e existe sim um risco eminente de terminar o Festival. Temos um milhão de reais em folha para pagar e nós não temos um centavo. Vale ressaltar também que se nós não tivermos mais o nosso Festival, os nossos artistas não mais sairão daqui para trabalhar fora do Estado. Por isso, é hora de deixar as bandeiras partidárias de lado e abraçar essa causa”, frisou.

O Vice-presidente do Garantido, Fábio Cardoso, enfatizou que o Festival Folclórico de Parintins é a identidade cultural maior do Estado do Amazonas e da Região Norte. “A nossa bandeira é o Festival de Parintins. Dessa forma, lutamos para que em hipótese alguma seja reduzida uma das noites da nossa festa, pois o boi Garantido está preparado para apresentar três noites de espetáculo”, destacou Fábio.

O vereador Juliano Petro Velho, autor da propositura, apontou como alternativa financeira para ajudar o Festival de Parintins o cancelamento da Festa dos Visitantes. “Essa festa não traz nenhum benefício para a nossa cidade e gasta mais de um milhão de reais. Então, é bom investir esse dinheiro todo no nosso Festival Folclórico. Esta seria uma das alternativas para salvar a nossa festa”, ressaltou Juliano. Assim como pediu, em nome dos participantes da audiência, a planilha dos custos da logística do Festival, por parte do Governo do Estado do Amazonas.

O público presente criticou a informação do corte de 50% dos recursos oriundos do Governo do Estado do Amazonas. Todos também deixaram claro ser contra a redução de uma das noites do Festival Folclórico de Parintins. Dessa forma, os participantes uniram-se para solicitar do Estado a disponibilização de recursos necessários para os artistas dos bumbás apresentarem um espetáculo grandioso em 2016, digno do potencial da criatividade do povo parintinense.

Texto: Mayara Carneiro

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