Sem Carnaval, sem trabalho: o coração e o bolso do artista com o cancelamento da festa

Eldiney Alcântara | 24 Horas

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Se não fosse a pandemia do novo coronavírus, nesse final de semana o Brasil realizava sua maior festa artística e popular, o Carnaval. No entanto, a realidade e o sentimento em todo país não são de alegria. Artistas parintinenses, que todos os anos ajudavam a construir essa festividade, vivem um momento que abala o bolso e o coração. As escolas não desfilarão na passarela do samba.

Na sexta e no sábado de Carnaval aconteciam os desfiles das escolas de samba de São Paulo, cidade que mais leva parintinenses para as agremiações carnavalescas. A escola de Samba Mocidade Alegre já chegou a contratar 50 artistas de Parintins para idealizar, desenhar e confeccionar alas, carros e adereços. Hoje, muitos desses artistas lamentam a triste realidade, como o diretor de figurino da escola, o parintinense Fabson Rodrigues, que está na escola há 10 anos. “Hoje a gente sente essa saudade. É algo que está na gente e não ter essa festa é bem impaciente pra nós artistas que trabalhamos com o Carnaval”, lamenta.

A pandemia afetou diretamente o artista. Assim como muitos, o paritinense Sorin Sena deixava Parintins logo após o Festival Folclórico e seguia para São Paulo. Devido as incertezas muitos não puderam ir. Sorin está na capital paulista e trabalha na Escola Terceiro Milênio. Ele conta que a escola não o deixou desamparado, mas sofreu baixa no contrato.

Sorin destaca que, em meio a pandemia, os artistas tiveram que se reinventar e encontrar novas formas de atuação. Ele se diz orgulhoso dos colegas que mesmo na crise conseguem sustentar suas famílias com trabalho digno. “Estou sentindo muita falta do trabalho, da recompensa disso. Nós vivemos disso. Vivemos pra mostrar a nossa arte e levar os recursos que recebemos pra ajudar a sustentar nossa família”, destacou o artista.

Um dos grandes destaques do carnaval carioca, na área artística, o parintinense Alex Salvador, também enfrenta a crise financeira decorrente da Covid-19. Ele destaca que o setor artístico foi um dos mais afetados pela pandemia. “A questão financeira é complicada, visto que a gente sobrevive da arte. A gente está se virando como pode. A classe artística foi bastante afetada, foi bastante esquecida”, critica.

Alex esta em Parintins e realiza serviços de pinturas em tela, esculturas e outras formas que encontra para trabalhar e ter renda. Nostálgico, ele lembra que esses dias, em anos anteriores, seriam intensos de trabalho e alegria. “Esse momento é de bastante tristeza. Ano passado, nessa época, estávamos a todo vapor nas apresentações das escolas. Estávamos naquela correria, naquela alegria de apresentar nosso trabalho”, recorda emocionado.

Com o cancelamento do Carnaval de São Paulo e Rio de Janeiro, soldadores, escultores, artesãos, pintores, aderecistas, figurinistas e demais profissionais da arte de Parintins ficam sem mais uma fonte de renda. Alguns chegaram a viajar para essas cidades, mas, aos poucos estão retornando ao Amazonas. Outros nem chegaram a viajar devido a incerteza da festividade. Além da alegria da festa, esses artistas também perdem recursos importantes para suas famílias e tem que encontrar novos meios para sobreviver.

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