Sensibilidade do VLT do ESO

Figura 01: Vizinhança ao redor da galáxia NGC 5018, vista geral.

A figura 01 é o registo de um conjunto de galáxias muito brilhantes obtido pelo Telescópio de Rastreio do VLT do ESO.

Figura 02: Telescópio de Rastreio do VLT do ESO em acção.

         A propósito, o VLT do ESO é um telescópio de 2,6 metros de diâmetro e foi idealizado para revelar a estrutura do céu na faixa do visível. A diversidade apresentada, na figura 01, dá-nos uma idéia da riqueza das estruturas das galáxias.

         O VLT tem esse nome graças ao acrónimo inglês: Very Large Telescope e ele consegue perceber objectos astronómicos pouco brilhantes com grandes detalhes. Por isso, sempre que os astrónomos buscam informações a respeito do processo de formação galáctica, acabam por recorrerem ao VLT. Se fecharmos a imagem acima (figura 01) na galáxia NGC 5018, obteremos como resultado a figura 03.

Figura 03: Imagem centrada na galáxia elíptica NGC 5018.

         Agora, na figura 03, é possível notarmos as corrente de gás e estrelas da galáxia elíptica NGC 5018. Estas estruturas são características das interacções galácticas, mais além, dá-nos uma mostra da complexidade no âmbito da estrutura e dinâmica das prematuras galáxias.

         Além do VLT, temos também o VST “VLT Survey Telescope” usado para detectar galáxias precoces, isto é, aquelas cuja elipticidade é baixa. Juntos, foi possível a criação do VEGAS “VLT Early-type GAlaxy Survey” que em português significa: rastreio de galáxias  precoces com o VST. E como o próprio nome diz, o objectivo foi colectar as galáxias elípticas, preferencialmente aquelas visíveis do hemisfério sul.

Figura 04: Galáxias vizinhas a NGC 5018.

Na figura 04, logo à esquerda, há um ponto branco leitoso que é justamente a galáxia NGC 5018. O que chama a nossa atenção é a presença de uma corrente de estrelas e gás, além de uma cauda de maré, a qual se estende rumo ao exterior daquela galáxia. Sublinha-se que tanto a corrente de estrelas quanto a cauda de maré são características de interacções galácticas. A autora desta pesquisa, Dra. Marilena Spavone intencionalmente sublinhou algumas estrelas, tais como HD 114746 (em azul vivo, quase no centro da imagem). A razão é simples, algumas estrelas que aparecem na figura 04, pertencem à Via Láctea e estão entre a Terra e as galáxias distantes, como é o caso de           HD 114746.

De maneira menos intensa, nota-se ainda o traço de um asteróide do nosso Sistema Solar, denominado 2001 TJ21 (110423). Logo mais à direita, há outro asteróide: 2000 WU69 (98603).

As imagens acima nos mostram que mesmo o objectivo inicial tendo sido o estudo de galáxias precoces – muito distantes de nós – ainda assim é possível registar estrelas situadas a pouco mais que algumas centenas de anos-luz e rastros de asteroides, da ordem de alguns minutos-luz, de nosso Sistema Solar. Facto esse que nos prova o quão sensível são os telescópios actuais. E ainda não falamos da nova geração de telescópios que serão lançados em 2018/2019. A tendência é que possamos capturar uma infinitude de detalhes sobre a estrutura de outras galáxias e dinâmica das mesmas.  Esse aspecto por si só faz da Astronomia Extragaláctica uma das áreas mais promissoras da Astronomia.

Dr. Nélio M. S. A. Sasaki

Coordenador do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Astronomia – NEPA

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