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Será que teremos uma nova Terra?

Figura 01: Detalhes de um disco protoplanetário visto pelo ALMA. Créditos da imagem: S. Andrews (Harvard-Smithsonian CfA); B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); ALMA (ESO/NAOJ/NRAO).

Nós já falamos sobre o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) em matérias anteriores. Nesta semana o ALMA voltou a ser assunto  nas principais páginas de Astronomia. Toda essa festa não foi por menos, afinal, o ALMA conseguiu imagens inéditas de um disco de formação planetária  formado ao redor de uma estrela  tipo-Sol, no caso, a TW Hydrae.

         A  estrela  TW Hydrae localiza-se na constelação Hidra (fêmea)

Figura 02: Localização da estrela TW Hydrae situada a 175 anos-luz da Terra. Créditos da imagem: Planetário Digital de Parintins – NEPA/UEA/CNPq.
Figura 02: Localização da estrela TW Hydrae situada a 175 anos-luz da Terra. Créditos da imagem: Planetário Digital de Parintins – NEPA/UEA/CNPq.
Figura 03: Concepção artística do sistema TW Hydrae. Créditos da imagem: NAOJ.
Figura 03: Concepção artística do sistema TW Hydrae. Créditos da imagem: NAOJ.
Figura 04: A melhor imagem de um disco protoplanetário. Os anéis e os espaços vazios revelam o processo de formação planetário naquele sistema. Créditos da imagem: S. Andrews (Harvard-Smithsonian CfA); B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); ALMA (ESO/NAOJ/NRAO).
Figura 04: A melhor imagem de um disco protoplanetário. Os anéis e os espaços vazios revelam o processo de formação planetário naquele sistema. Créditos da imagem: S. Andrews (Harvard-Smithsonian CfA); B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); ALMA (ESO/NAOJ/NRAO).

Na imagem da figura 04,  há vários espaços vazios no disco, em um deles, a distância entre o espaço vazio e a estrela é a mesma distância da Terra ao Sol. Ou seja, talvez estejamos a ver a formação um outro planeta semelhante ao nosso  naquele sistema. Mas isso é apenas uma possibilidade. Astrónomos trabalham com duas possibilidades: ou teremos a formação de um planeta semelhante ao nosso, ou  de um planeta tipo-Terra (ou seja, rochoso e mais massivo).

 Vale ressaltar que a estrela TW Hydrae é  bem jovem, sua  idade é estimada  sendo próxima dos 10 milhões  de anos de idade.

A figura 03, mostra-nos uma visão mais ampla do disco  protoplanetário ao redor da estrela.

A imagem do ALMA revela  uma série  de anéis, de poeira, brilhantes e espaços  escuros concêntricos. Tudo indica que um planeta  com uma órbita parecida com a órbita terrestre está a se formar naquele  sistema.

Calma lá, e os demais espaços vazios? Bem, eles também são  significativos. Embora estejam, respectivamente,  3 mil milhões  de quilómetros e 6 mil milhões de quilómetros da estrela TW Hydrae,  esses espaços vazios  correspondem às distâncias  médias entre o Sol e o planeta Úrano (no primeiro caso) e Sol e o planeta-anão Plutão (no último caso).

Após  a obtenção de imagens  na faixa de rádio, emitida pelos grãos  de poeira  do tamanho de milímetros (que estão no  disco), o ALMA revelou os seguintes detalhes

Figura 05: Telescópio ALMA detecta possível formação de um planeta tipo-Terra. Créditos da imagem: S. Andrews (Harvard-Smithsonian CfA); B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); ALMA (ESO/NAOJ/NRAO).
Figura 05: Telescópio ALMA detecta possível formação de um planeta tipo-Terra. Créditos da imagem: S. Andrews (Harvard-Smithsonian CfA); B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); ALMA (ESO/NAOJ/NRAO).

A observação  deste disco protoplanetário é muito importanto, afinal,  é a estrutura mais próxima de nós  que mais se assemelha ao nosso Sistema Solar quando ele tinha  aproximadamente 10 milhões de anos. No fundo, esperamos que  esse estudo  possa  dar-nos uma maior compreensão sobre a evolução do planeta Terra e, talvez, responder  uma questão em aberto: qual seria a probabilidade de encontrarmos  sistemas semelhantes  em toda a  Via Láctea?

Mais dúvidas, os astronómos também estão  a buscar respostas para outras indagações, entre elas: com que frequência  esse tipo de estrutura surge  ao redor de estrelas? Como tais objectos  evoluem com o tempo? Como tais objectos evoluem  dentro do meio que os envolvem?

Até o momento, fica a sensação de estarmos a olhar para o nosso passado e sermos testemunhas do surgimento de um sistema planetário que lembra, em muito,  o nosso. Caso as respostas sejam satisfatórias e esclarecedoras, outro ponto  será levantado: será mesmo que o Sistema Solar surgiu com 8 planetas?  Ou poderia ter surgido com um número menor de planetas?

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da AIU, Membro da ST/Brasil, Membro do PLOAD/Brasil, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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