Sessão de mais de 20 horas no Senado frustra e inibe cobertura da TV

Mauricio Stycer | Uol

Iniciada às 10h de quarta-feira (11), e encerrada mais de 20 horas depois, às 6h39 de quinta (12), a sessão do Senado destinada a votar a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma não foi um bom evento para as emissoras de TV.

Ao vivo, de Brasília, no “Jornal da Record”, o repórter Eduardo Ribeiro resumiu o drama: “O Brasil vai dormir com Dilma na presidência e acordar com Temer no cargo”.

Ainda à noite, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) previu que a sessão iria até as 7 da manhã. Acertou. “Quem queria aparecer no Jornal Nacional vai acabar no Bom Dia Brasil”, disse a Bernardo Mello Franco, colunista da “Folha”.

Como exibir uma sessão com duração de quase um dia? As principais emissoras, com exceção do SBT, optaram por exibir flashes ao longo de todo a quarta-feira, em meio à programação normal. Nos telejornais noturnos, a votação, obviamente, foi o assunto principal.

Sem poder informar o resultado da votação, William Bonner encerrou o “Jornal Nacional” prometendo voltar à bancada para anunciar o desfecho no momento em que os números seriam conhecidos. Não deu. Pela manhã, a Globo deu início aos trabalhos às 5h, com William Waack excepcionalmente ao lado de Monalisa Perrone na apresentação do “Hora Um”. O SBT, com o seu “Primeiro Impacto”, entrou ao vivo a partir das 6h, assim como Record, Band, RedeTV! e Cultura – todos com imagens da TV Senado.

Em 17 de abril, um domingo, na votação na Câmara dos Deputados, as emissoras optaram por exibir na íntegra as justificativas de voto de 513 deputados. O show durou seis horas – e pareceu interminável, com aquele desfile de parlamentares votando em nome de Deus, da família e de seus currais eleitorais.

Desta vez, cada senador inscrito teve direito a discurso de 15 minutos. Por este motivo, nenhuma das principais emissoras teve a coragem de exibir a sessão na íntegra, poupando os espectadores.

“Ouvindo baboseiras”

Lançado esta semana para competir com “Cidade Alerta”, da Record, e “Brasil Urgente”, da Band, o programa “Olha a Hora” deu tratamento especial à votação do pedido de impeachment no Senado, nesta quarta-feira. Sob o comando de Luciano Faccioli, o vespertino da RedeTV! se destacou pela irreverência.

“Não vão ficar ouvindo baboseira aqui, não”, disse Faccioli aos espectadores, depois de mandar cortar a imagem do discurso de um senador. “Haja (saco)”, resmungou. “Os 15 minutos de fama que os senadores têm direito, aqui não. Cinco minutos estava de bom tamanho.”

Em outro momento, questionando uma repórter em Brasília que estava próxima ao Palácio do Planalto, o apresentador foi irônico: “Já passou caminhão de mudança?” A jornalista informou que só havia visto um caminhão de som.

SBT com Disney

A abertura da histórica sessão no Senado, que deve decidir pelo afastamento da presidente Dilma, começou às 10h com transmissão ao vivo das principais redes de televisão do país.

Globo, Record, RedeTV! e Band interromperam suas programações para mostrar as primeiras palavras do senador Renan Calheiros, abrindo a sessão. TV Brasil e TV Senado também transmitiram o evento. A TV Cultura perdeu o início da transmissão, mas mostrou logo depois um resumo da abertura.

Só o SBT seguiu com a sua programação normal, o “Mundo Disney”. Como ocorreu em 17 de abril, quando a Câmara dos Deputados votou pela admissibilidade do processo de impeachment, a emissora de Silvio Santos ignorou a maior parte da sessão no Senado.

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