Sexta cultural: Filho de Parintins obtém título de Doutor em Ciências Pesqueiras

Momentos de alegria e emoção marcaram a defesa pública da Tese de Doutorado do parintinense Antônio Fábio Lopes de Souza, natural da comunidade rural do Panauarú. A defesa aconteceu no Parintins Convention Center na manhã desta sexta-feira, 15 de julho, e contou com a participação de alunos e professores do Colégio Batista de Parintins, Escola Estadual Dom Gino Malvestio, Ceti Deputado Gláucio Gonçalves, Escola Estadual Brandão de Amorim, Escola Estadual Tomaszinho Meirelles e Escola Estadual Senador João Bosco; de acadêmicos e professores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); familiares e amigos do discente e da imprensa local.

Intitulada “Rendimento, caracterização físico-química e perfil de ácidos graxos de peixes siluriformes da Amazônia em diferentes etapas do ciclo hidrológico”, a Tese de Doutorado do parintinense Antônio Fábio recebeu a orientação do Professor Doutor Antônio José Inhamuns e foi aprovada pelos Professores Doutores Rogério Souza, Jesuir Virgílio, Jackson Pantoja, Carlos Vitor Lamarão e Marcondes Agostinho. O parintinense realizou seus estudos e pesquisas por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências Pesqueiras nos Trópicos da Universidade Federal do Amazonas.

O Professor Doutor Antônio José Inhamuns parabenizou o trabalho de Antônio Fábio Lopes de Souza e destacou o compromisso e a dedicação do orientando e sua família no processo de pesquisa da Tese. “Parabéns à família por todo esse empenho, por acompanhar de perto a elaboração desse trabalho. Doutor Fábio, excelente trabalho, o mérito é todo seu”, frisou Inhamuns.

O Professor Doutor Carlos Vitor Lamarão ressaltou a importância da pesquisa feita por Antônio Fábio para o Estado do Amazonas. “A pesquisa do Fábio trouxe resultados interessantes em relação ao pescado, principalmente no contexto nutricional e mais ainda quando falamos de ácidos graxos, os quais são nutrientes que fazem bem para a saúde. Ele mostrou que nas espécies de peixes amazônicos, muitos até são rejeitados pelo público, há um potencial de nutrientes enorme. Isso gera saúde para todos que vão se alimentar desse pescado e esse resultado para a indústria é muito importante, porque significa dizer que ela vai investir mais nessa cadeia produtiva”, afirmou Vitor.

Em nome da família e dos amigos, o sobrinho do Doutor Antônio Fábio, o parintinense Telo Pinto, agradeceu a vinda dos Professores Doutores para o município de Parintins realizar essa avaliação, haja vista residirem em outros estados brasileiros. “Quero agradecer também o empenho da família toda e dizer que a cultura do povo parintinense é essa. E o meu tio, agora Doutor Fábio, revelou a importância de mostrar para o mundo a nossa cultura”, destacou.

De acordo com a Tese de Doutorado do parintinense Antônio Fábio Lopes de Souza, há mais de três mil espécies de peixe, sendo que poucas espécies são exploradas comercialmente no Brasil. Segundo as pesquisas, apenas 60 espécies são exploradas nesse sentido e apenas 16 delas obtêm a preferência do consumidor.

Antônio Fábio disse que as espinhas, a aparência anatômica, a textura do tecido e o tabu alimentar são os principais fatores que interferem na exploração de estoques naturais. Para ele, a importância do respectivo trabalho é revelar que a população deve cada vez mais consumir o pescado, por causa de sua qualidade nutricional, uma vez que os peixes são ricos em proteínas, lipídios e minerais. Além disso, informou que o Amazonas e o Pará são os estados brasileiros que mais produzem peixes.

Doutor Fábio destacou que os brasileiros, em especial os amazonenses e parintinenses, devem estar cintes da importância de segurança alimentar e dos pilares para a educação nutricional regional, a qual está exposta no trabalho dele. Segundo Fábio, os ácidos graxos são os mais importantes constituintes dos lipídios, o que é primordial para a saúde humana. Assim, expôs a importância das pessoas consumirem o Mapará, o Surubim e a Piracatinga, dentre outros peixes lisos, devido a riqueza desses pescados em Ômega 3 e 6.

Emocionado, o mais novo Doutor em Ciências Pesqueiras nos Trópicos da Universidade Federal do Amazonas disse estar com o sentimento de dever cumprido ao contribuir com o progresso da Ciência na Amazônia, principalmente por ser parintinense. “Mesmo diante de tantas dificuldades consegui galgar um dos mais altos títulos acadêmicos. Eu me sinto honrado e feliz por estar aqui junto da minha família, dos meus amigos, dos meus conterrâneos, pois pela primeira vez um filho de Parintins defendeu uma Tese de Doutorado em sua terra natal. Quero dizer que o meu trabalho tem uma importância significativa para as ciências nutricionais da região, incentivando o consumo de pescado, de proteína extraída de peixes de baixo valor comercial, com um grande potencial para que se possa reeducar a educação alimentar em todo o Estado do Amazonas”, enfatizou.

Ele também enalteceu a importância da publicação de sua Tese, uma vez que não há nenhum trabalho de pesquisa sobre os peixes da Amazônia. “É uma gama muito grande de dados e vamos transformar tudo isso em Artigos Científicos para serem publicados em Revistas Nacionais e Internacionais. Esse trabalho vai contribuir com o progresso da Ciência no Estado do Amazonas”, frisou.

Reportagem: Mayara Carneiro e Karine Nunes

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