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“Super”Lua

Fig01: À direita, a Lua no apogeu e, à esquerda, a Lua no perigeu.

Para os amantes da Astronomia e apaixonados, as noites de 13 e 14 de novembro são duas óptimas opções  para  enamorar-se  da nossa querida Lua. Em Parintins, nestas datas, além de estar praticamente Cheia, nosso satélite natural  estará também a se aproximar do seu  perigeu (ponto onde a distância entre  a Lua e Terra  é a menor possível). Aliás, a hora exacta do perigeu será às 0h30min de  14 de novembro  de 2016. E isto significa dizer que neste mês teremos, mais uma vez, uma superlua.

Qual o motivo de se usar o termo “superlua”?  Bem, esse termo que  “está na moda”, na verdade, faz parte  do vocabulário popular, ou seja, de  pessoas leigas no assunto. De facto,  a génese desta expressão  é encontrada na astrologia moderna e empregada para se referir  ao surgimento de uma Lua Nova  ou  Cheia  que acontece quando  a Lua  está entre 99% a 100% próxima  do perigeu em uma certa órbita. Porém, nos últimos anos, o termo da astrologia tem sido empregado por leigos para se referir unicamente a uma Lua Cheia  que está mais próxima da Terra (além da distância habitual). Cuidado,  muitos textos definem  ERRONEAMENTE o intervalo entre  90% a 100%.

Mas por qual razão a Lua estaria mais perto da Terra em algumas circunstâncias e não noutras?

Fig02: Órbita da Lua.
Fig02: Órbita da Lua.

Acontece que a órbita lunar é elíptica (conforme mostra a figura 02), e esse tipo de trajectória tem dois pontos especiais, um é o perigeu (onde a Lua fica mais próxima da Terra) e o outro  é o apogeu (ponto no qual a Lua fica mais distante da Terra). Por exemplo, neste próximo dia 14 de novembro, a Lua estará, às 0h30min (horário de Parintins), a  350.567 km de distância da Terra. Porém, essa distância do perigeu não é fixa, varia de tempos em tempos. Muitos textos  afirmam que  temos  de 4 a 6 superluas por ano, o que não está correcto. Em Astronomia, este fenómeno é mais raro, por exemplo, além de 14/11/2016,  esse fenómeno voltará a ocorrer em 01/01/2018, às 1h (horário de Parintins), oportunidade em que a distância entre a Lua e a Terra será apenas de 351.292 km. A figura 03 mostra a Lua no apogeu e no perigeu e a figura 01 mostra o tamanho da Lua no perigeu (à esquerda) e no apogeu  (à direita).

Fig03: Lua no perigeu e no apogeu.
Fig03: Lua no perigeu e no apogeu.

O que é chamado vulgarmente por superlua não tem nada de “super”, pois, ela não é tão maior que uma Lua Cheia “normal”. De facto, não há registos de qualquer diferença de tamanho entre a Lua Cheia (que ocorre entre o perigeu e o apogeu) e a superlua. Chamamos sua atenção, leitor, pois há textos que afirmam que a próxima superlua acontecerá apenas na dia 25 de novembro de 2034, o que não procede.  Em janeiro de 2018, teremos novamente este fenómeno e outro detalhe: em 2034, a Lua estará 89,2% iluminada – marca que não caracteriza uma superlua, apesar do nosso satélite natural ficar a apenas 350.490 km de distância da Terra.

Outro detalhe, dia 14 de dezembro de 2016, a Lua estará a 353.822 km da Terra e com 99,8% de sua superfície a ser iluminada – fenómeno que ocorrerá às 01h37min (horário de Parintins) e alguns textos chamam esse fenómeno, erroneamente, de superlua.  A Lua do dia 14 de dezembro chama nossa atenção, pois, seu brilho irá obscurecer a nossa observação da chuva de meteoros das Geminídeas. Estima-se que esta redução ocorra por um factor entre cinco e dez. Se você conseguir observar ao menos 10 estrelas cadentes no intervalo de 1h considere-se um privilegiado.

Apesar de alguns equívocos conceituais, o certo é que “superluas” são muito lindas. Nesta próxima segunda-feira, teremos a Lua Cheia mais próxima da Terra até a presente data – facto que não ocorre a mais de 68 anos.

Vale ressaltar que as Luas mais baixas podem criar “ilusão lunar”. Fenómeno no qual a Lua está perto do horizonte, aparentemente se mostrando maior do que o normal, quando observada através de árvores e/ou objectos em primeiro plano.

Independentemente de conceitos e definições, o certo é: teremos um lindo espetáculo.  Boa observação para si.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de     Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
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