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Tentativa de justiça com as próprias mãos desencadeia tragédia sucessiva em Barreirinha 

Foto: Divulgação

Da Redação

A morte da menina de um ano e cinco meses, mais uma vítima de estupro, provocou reação popular sem precedentes contra o autor do crime bárbaro ocorrido na estrada da comunidade Terra Preta do Limão. Os atos de vandalismo no perímetro da Delegacia de Polícia Civil de Barreirinha chegaram ao extremo, com viaturas queimadas, cinco baleados e dois mortos na noite de domingo (20).

Durante confronto, Otávio Gabriel de Souza Lopes, 20 anos, levou um tiro no pescoço e Rosiel Viana de Carvalho, 26 anos, sofreu um na cabeça. Os outros três: Robson Printes Belém, Francineilo Andrade de Souza e Franciedson Reis da Silva, dois  baleados no rosto e um na perna, estão internados com quadro de saúde estável no Hospital Coriolano Lindoso Cidade. Barreirinha já recebeu reforço de segurança da Polícia Militar do Amazonas.
O alvo do protesto era o acusado do estupro, identificado pelo nome de Alex Pereira Albuquerque, que é padrasto da criança vítima e foi transferido a Parintins, para evitar qualquer ação de linchamento. A mãe da criança, suspeita de ter sido conivente com o crime praticado pelo companheiro, também deu entrada na Delegacia de Polícia Civil de Barreirinha. A situação ficou controlada no início da madrugada desta segunda-feira (21).
O policial militar, Wilker Mourão, fez reflexão a respeito da sucessão de fatos em Barreirinha.
Veja a publicação na íntegra:
Todos nós estamos indignados com mais um crime bárbaro ocorrido no Município de Barreirinha (à 369Km de Manaus). Tal atrocidade tem causado revolta e sede de justiça por parte da população, que não aceita mais a morosidade como a justiça age para punir os acusados. Fato que desmotiva até os próprios policiais militares que se desdobram diuturnamente para colocar os criminosos atrás das grades.
Vivemos momentos em que pessoas desacreditadas com nossas leis buscam praticar justiça feita com as próprias mãos, comportamentos que têm causado medo e insegurança na população e dividido opiniões.
Essa revolta inspirada pelo sentimento de impunidade e insegurança vem causando ataques aos suspeitos de cometer crimes e até mesmo agentes das forças de segurança, deprendando o patrimônio público e queimando viaturas, colocando em risco a vida de pessoas que trabalham única e exclusivamente para servir e proteger a população.
Esta desumana forma de justiça confronta o Estado, titular exclusivo do direito de punir, fazendo com que vivenciemos momentos de retrocesso e barbárie ao vermos indivíduos considerando-se no direito de julgar e punir outros com atitudes selvagens, afastando e desrespeitando toda sistemática processualista do devido processo legal e os direitos fundamentais.
Essa forma de fazer justiça com as próprias mãos entra em contradição quando vai contra todo o ordenamento jurídico brasileiro e os ideais do Estado Democrático de Direito, mostrando que essa forma de exercício arbitrário das próprias razões tem mais características de crime, violência e caos do que justiça.
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