Terceirizados da Semsa agiam no desvio de medicamentos, diz secretario

Até às 12h, 15 pessoas já foram presas. Foto: Jair Araújo

Sete funcionários terceirizados que atuavam do Departamento de Logística (Delog) da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) foram presos durante a operação “Esculápio”, realizada nesta sexta-feira, segundo o secretário Homero de Miranda Leão. Os funcionários atuavam de forma organizada a fim de desviar medicamentos da rede pública de saúde, que eram vendidos em drogarias na capital e no município de Iranduba.  Ao todo, 15 pessoas foram presas até o momento.

“Acreditamos que o desvio era feito quando não há câmeras no trajeto dos medicamentos ao local de destino, que são as unidades de saúde”, afirmou o secretário da Semsa. “Quando o medicamento chega na unidade, chega em caixas que são lacradas e, geralmente, se confia na procedência. Há a conferência de caixas que chegam e não dos medicamentos em si. Nesse caso, as caixas eram abertas por baixo. Era tirado um pouco por dia”, explicou.

Calcula-se que, no mínimo, houve um prejuízo aos cofres públicos de R$ 250 mil, segundo o secretário da Semsa. “Esta ainda é uma estimativa. Com o andar das investigações faremos o levamento oficial”.

O delegado Paulo Mavignier, da 31ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), em Iranduba, coordenou as investigações desde outubro do ano passado. Ele explicou que o município funcionava como um local de armazenagem de medicamentos furtados.

“A investigação começou em Iranduba, após denúncia anônima. Em Iranduba funcionava um verdadeiro centro de distribuição ilegal de medicamentos desviados”, ressaltou. “Os itens eram repassados para receptadores e vendidos em drogarias no bairro Compensa e em Iranduba”.

Os integrantes da quadrilha tinham funções predeterminadas, conforme o delegado, envolvendo familiares. Entre os remédios desviados estão antibióticos que costumam ser mais caros.

“O ‘separador’, que divide os medicamentos para as casas e unidades de saúde, desviava. Alguém da limpeza, transporte, tiravam mais um pouco do remédio e desembarcava o material no Iranduba. Dessa ‘central’, as esposas dos funcionários faziam o contato com donos de drogarias. O medicamento era entregue na cabeceira da Ponte Rio Negro. Todo o lucro era dividido. Os furtos eram feitos diariamente”, afirmou o delegado.

A maioria dos remédios foi apreendido na drogaria André Lucas, no bairro Compensa, e na Amazonfarma, no distrito de Cacau Pirêra.

Até às 12h, 15 pessoas já haviam sido presas. Foram expedidos 10 mandados de prisão preventiva, mas alguns algumas pessoas foram presas em flagrante durante as fiscalizações da Semsa e da Vigilância. Donos de drogarias foram identificados e devem responder por receptação.

Foram presos em cumprimento a mandado de prisão: Idagilson Batista Bentes, 32; Luana Matos de Almeida, 26; José Renato Magalhães de Souza, 58; Nilson Trindade da Costa, 34; Rodolfo Garcia de Souza, 37; Elivan da Silva Vieira, 29, conhecido como “Cacau”; Jacenira Batista da Silva, a “Nira”, 39; Helder Thury Barreiros Barbosa, 25; Reginaldo dos Santos de Souza, conhecido como “Peixe”, 41; André da Silva Salles, 37.

A ação também prendeu em flagrante Marcos Dully Pinto Lima, 30; o pai dele Inácio de Aguiar Lima, 52; Joab Serique Costa, 35; João Bosco Lima Gimaque, 50; Rafael Paulo Cabral, 36.

A ação desta manhã contou com o apoio daSecretaria de Segurança Pública (SSP); Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop); Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai); Departamento de Polícia do Interior (DPI); Departamento de Logística da Semsa; Departamento de Polícia Metropolitana (DPM); 36ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Rio Preto da Eva e 77ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Novo Airão.

Os presos foram indiciados por peculato, associação criminosa e furto qualificado, com exceção de André que foi indiciado por receptação e associação criminosa. As pessoas presas em flagrante foram autuados por receptação qualificada.

Do D24

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