-Publi-A-

Terra e Terras (super-Terras)

Fig01: Exemplo de uma super-Terra.

Nos bastidores da Astronomia, um dos instrumentos que  está  em evidência é o HARPS [do inglês: High  Accuracy Radial  velocity Planet Searcher] trata-se de um “descobridor” de planetas lançado pela ESO. A novidade em si não é o instrumento e sim as revelações do mesmo.

Fig02: HARPS.
Fig02: HARPS.

Estudos mais recentes afirmam que estrelas vermelhas de fraca luminosidade possuem nas chamadas “zonas habitáveis”  muitos  planetas  rochosos  pouco maiores que a Terra.

Estima-se a existência de dezenas de milhares de milhões de planetas que se encaixam na categoria: Super-Terras, estamos a contar somente  os planetas  dentro da Via Láctea. Provavelmente haja  outra centena  de planetas nas regiões  imediatamente  circunvizinhas  ao Sol.

As medidas do HARPS são as primeiras evidências directas  do quão frequentes são as super-Terras,  ao redor de  estrelas  anãs vermelhas, que  correspondem a 80%  de todas as estrelas  da nossa Galáxia.

-Alto lá! Afinal, o que a Astronomia está a buscar?

-No fundo, a Astronomia está a mapear a Via Láctea, assim, os astrónomos preocuparam-se em estudar os tipos de estrelas mais comuns na nossa Galáxia, ou seja, anãs  vermelhas – também chamadas de                 anãs do tipo M. Em outras palavras, estamos a falar de estrelas  cuja luminosidade é débil e são consideradas pequenas  ao compararmos   seus tamanhos  com  o nosso Sol.  O facto desse tipo de estrela  corresponder a  80% de todas as estrelas da Via Láctea é importante, mesmo  porque  tais estrelas  duram  mais tempo que o nosso Sol.

Com a ajuda do HARPS, os astrónomos estimaram  que  aproximadamente 40% de todas  as estrelas anãs  vermelhas possuem  uma super-Terra que  está a orbitar  na  “zona habitável”.  Um cálculo simples  aponta para  algo  da ordem de  60 mil milhões de  anãs vermelhas  somente em nossa Galáxia. Assim, espera-se que haja  dezenas de milhares de milhões  de super-Terras  na Via Láctea. Esses dados são  muito  interessantes,  agora, imagine se multiplicarmos esses números por um factor  de  50?  Há  no mínimo 50 galáxias a orbitar  a nossa.

Fig03: Via Láctea cercada por outras galáxias.
Fig03: Via Láctea cercada por outras galáxias.

 

Fig04:Antares é uma estrela tipo M.
Fig04:Antares é uma estrela tipo M.

Após  seleccionar  102 estrelas anãs vermelhas, uma equipa de astrónomos  encontrou nove (09) super-Terras, ou seja,  planetas   cujas  massas   variam desde  uma  até  dez massas terrestres. Dois exemplos  são: Gliese  581  e Gliese  667 Cc.

Fig05: Comparação entre a Terra e as super-Terras.
Fig05: Comparação entre a Terra e as super-Terras.

Sublinha-se que planetas com massas significativamente grandes  (tal como Júpiter) raramente  são   encontrados  a orbitar  anãs  vermelhas. Os cálculos apontam que planetas  com massa entre   cem (100) massas terrestres e  mil  (1000) massas terrestres correspondem a  menos de 12% dos planetas  em torno das estrelas anãs vermelhas.

Ao considerarmos o elevado número de estrelas anãs vermelhas “próximas” ao nosso Sol podemos concluir que, ao menos, cem (100) exoplanetas do tipo super-Terra existam nas zonas habitáveis correspondentes às estrelas da circunvizinhança solar, em um raio de 30 anos-luz.

Temos que ter em mente que ao se falar de zona habitável estamos a nos referir àquela região onde a temperatura é favorável ao surgimento e/ou existência de água no estado líquido na superfície do planeta. No caso particular das anãs vermelhas, a distância entre o planeta e a estrela hospedeira é menor que a distância entre Terra-Sol.

Aparentemente, tudo está a se encaixar.  Porém, se recordarmos que as anãs vermelhas são muito activas (ou seja, apresentam muitas erupções estelares) então há um grande problema. Afinal, o planeta que está a orbitá-la seria banhado em um “mar” de radiação ultravioleta e raios-X, o que diminui as probabilidades de existência de vida tal qual conhecemos.

Um dado que  “assusta” foi a descoberta de Gliese  667 Cc,  com uma massa equivalente a quatro vezes a massa do nosso planeta, ele é considerado actualmente  o planeta  gémeo mais  parecido  à Terra. Hoje, trabalha-se  com a hipótese de  Gliese 667 Cc ter  condições  atmosféricas similares às da Terra.

Certamente, a pergunta que os miúdos fazem sobre a Terra: “Professor,  por qual razão a Terra é o único planeta  com estas características no universo?” seguramente  pode ser alterada para: “Professor, por qual razão  a Terra é o único  planeta com estas características no Sistema Solar?”

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de     Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

você pode gostar também