Terreiros, Tendas e Centros de Umbanda, Candomblé e Espírita realizam I Encontro Afro Parintintin

“Sejamos apenas um”. Com esta proposta, Terreiros, Centros e Tendas de Umbanda, Candomblé e Espírita realizaram o I Encontro Afro Parintintin. O evento aconteceu no auditório do Centro Educacional de Tempo Integral, CETI, neste sábado, 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra. Uma data significativa que exalta a cultura de matiz africana.

O Encontro foi idealizado pelos professores Franciney Silva e Márcia Gabriele, que reuniram adpetos do candomblé, umbanda e espiritismo que existem em Parintins. “Ao longo de muitas décadas nós fomos criminalizados, nós somos ridicularizados por uma sociedade preconceituosa, conservadora que não procurou saber de fato o que é a Umbanda, o que é o Candomblé. Nós aqui somos paz e amor, somos caridade, muito pelo contrário daquilo que pensam. Nós estamos aqui pra dizer que nós existimos e resistimos. Nós estamos aqui no município de Parintins pra também ter respeito, a exemplo dos nossos irmãos católicos e evangélicos”, explica.

Durante a programação aconteceram apresentações dos terreiros, Mães de Santo, grupos de Capoeira e debates sobre as diversas manifestações da cultura africana, em especial, a atuação dos grupos religiosos de matizes negras no município. Na mesa temática foi debatido o tema “Presença da religiosidade negra em Parintins” e reuniu estudiosos, entidades e demais profissionais que defendem a cultura afro.

Conhecida em Parintins, Mãe Bena, 59 anos, filha de Oxossi, comanda o Terreiro Centro Cultural São Sebastião. Ela é mãe de santo há 49 anos e afirma que este Encontro é fundamental para que os grupos espíritas, ubandistas e de candomblé sejam conhecidos e ocupem seus espaços de direito. “É um dia muito importante pra nós. É um evento inédito. Nos reunir, chamar a atenção do povo, dos nossos governantes, das nossas autoridades. Então, nós precisamos aparecer, nós estamos aqui em busca do nosso espaço, porque todas as religiões tem o seu espaço. Nós temos nossas casas, nas nossas roças, mas nós precisamos do nosso espaço na sociedade. Esse povo é família de axé, essa família de axé é muito grande”, disse Mãe Bena.

O coordenador do I Encontro Afro Parintintin, Franciney Silva, afirma que o evento foi criado para unir, não somente as religiões de matiz afro, mas irmanar às demais correntes religiosas. “É importante destacar realmente essa união de vários grupos, de vários centros, vários terreiros pra realmente manifestar essa cultura, essa religiosidade que muitas vezes é marginalizada. Nós nascemos para fazer o bem. A gente precisa nos irmanar aos nossos irmãos católicos e evangélicos, eles a nós, porque nós temos isso já dentro de nós enquanto religiosos da Umbanda e Candomblé. Nós somos do bem”, finalizou.

Fotos: Pitter Freitas

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