Teste de Covid-19 100% brasileiro é criado pelo Centro de Biotecnologia da Amazônia   

MANAUS - AM 08/06/2015. MOVIMENTO PRÓ CBA (CENTRO DE BIOTECNOLOGIA DA AMAZÔNIA) FAZ MANIFESTAÇÃO CONTRA O FECHAMENTO DO CENTRO. FOTO: LUCAS SILVA/ACRÍTICA

Manaus (AM) – O Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) já trabalha na produção de kits de diagnóstico rápido da Covid-19, com um diferencial: a utilização de anticorpos e antígenos nacionais desenvolvidos, em Manaus. Estima-se um prazo de quatro meses para a fabricação do material em larga escala, após as etapas de validação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


De acordo com o gestor do centro pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Fábio Calderaro, o CBA já possui a expertise na produção de anticorpos e antígenos para a criação do teste rápido, diante da pandemia do novo coronavírus e da necessidade de testagem em massa da população para o combate da doença, preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

“A partir do aporte de investimentos, além dos kits, o Centro de Biotecnologia da Amazônia também teria condições de ganhar escala e fornecer anticorpos e antígenos suficientes para que as empresas brasileiras possam produzir 30 mil testes rápidos por dia, necessidade mínima que já foi ressaltada pelo Ministério da Saúde”, explica o gestor do CBA.

Estudos genéticos realizados com os primeiros pacientes infectados no Brasil apontaram que o vírus possuía uma sequência de RNA diferente entre o primeiro e o segundo caso. “A cada novo país, o vírus sofre mutações. Os kits , com anticorpos e antígenos importados, podem ter baixa sensibilidade de detecção no Brasil, uma vez que não são adaptados à nossa realidade viral. Por isso, a urgente necessidade de produção de um kit com insumos nacionais para atender à específica e crescente demanda”, diz.

Até o momento, a Anvisa aprovou dezessete marcas de kits específicos para o diagnóstico rápido da Covid-19. “Todas utilizam anticorpos e demais insumos importados, em sua maior parte, da China. Portanto, para a produção de kits diagnósticos, somos dependentes do mercado externo, que atualmente também demanda muito dos mesmos insumos, por conta da crise pandêmica”, ressalta Calderaro.

Segundo Diogo Castro, doutor em biotecnologia, especialista em produção de anticorpos e responsável pelo projeto, o diagnóstico do CBA trata-se de um teste imunocromatográfico, semelhante aos testes rápidos para detecção de dengue ou HIV, onde algumas gotas de sangue ou da mucosa humana, como a saliva, são colocadas na fita do kit e o resultado sai em poucos minutos. “Já temos a plataforma de produção de anticorpos e antígenos consolidada e estamos trabalhando para inseri-los na fita do teste rápido e disponibilizar”, revela.

Para o gestor do CBA, o kit de diagnóstico rápido, além de contribuir para as ações de contenção da disseminação da Covid-19, trará uma nova perspectiva para o Amazonas, posicionando-o como polo de produção de kits de diagnóstico. “Inclusive a mesma planta adotada pelo CBA para a Covid-19 poderá ser utilizada para produção de outros anticorpos e testes para diagnóstico de outras doenças de importância regional e nacional”, conclui.

Com informações de assessoria

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