Toadas de Ronaldo Barbosa e do Canto da Mata fizeram de Arlindo Júnior o Pop da Selva

Gerlean Brasil | 24 Horas

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Não há como dissociar o auge da carreira de Arlindo Júnior, sem as composições memoráveis de Ronaldo Barbosa ou do grupo Canto da Mata, com a explosão do ritmo de boi-bumbá no Brasil, na década de 1990. O cantor deu personalidade ao item levantador de toadas pelo Boi-Bumbá Caprichoso e ficou conhecido como Pop da Selva, no Festival Folclórico de Parintins.

Quem apostou no talento de Arlindo Júnior para defender as cores azul e branco como intérprete foi o compositor J. Carlos Portilho, no ano de 1988. Até então, o cantor trabalhava no Bar Marajá Drinks, em frente ao curral do Boi Garantido, na Baixa de São José, dos jornalistas Floriano Lins e Fred Góes. Sondado pelo Caprichoso, Arlindo perguntou de Floriano, com quem morava e chamava de pai, se não havia problema fazer o teste no boi.

O momento mudou, para sempre, a vida artística de Arlindo. “O Periquito (apelido do compositor J. Carlos Portilho) me procurou para eu conversar com o Arlindo Júnior e convencê-lo para ir ao teste, na chácara dele, na beira do Lago Macurani, às 14h. Eu disse para ele ir, porque era importante para a carreira dele. Quando ele voltou para casa, já retornou como levantador de toadas”, conta o jornalista Floriano Lins.

Nesse tempo, Arlindo ganhava a vida como pagodeiro e radialista. Pelas mãos de J. Carlos Portilho, um dos principais compositores do Caprichoso, na década de 1980, o cantor chegou ao touro negro para marcar gerações, do “Ritmo Quente”, do Canto da Mata, a “Fibras de Arumã”, “Saga de Um Canoeiro”, “Pesadelo dos Navegantes”, “Vale do Javari” e “Réquiem – Preces aos Espíritos”, de Ronaldo Barbosa.

Inclusive, Floriano Lins rememora também que Arlindo Júnior gravou clipe da toada “Saga de Um Canoeiro”, para o Programa Fantástico, da Rede Globo, em plena Festa da Pesca do Peixe Liso, na comunidade São José do Paraná do Espírito Santo de Cima. “Ele se apaixonou, encarnou a toada e fez dela a sua bandeira musical. Assumiu esse ritmo como mote da profissão”, frisa.

Arlindo fez o item número 02 do festival de Parintins ganhar notoriedade e acirrou as disputas do Caprichoso contra o Garantido, na década de 1990, período no qual o boi azul conquistou um tricampeonato. As performances do levantador de toadas, na arena do Bumbódromo, o consagraram como o principal cantor do gênero boi-bumbá.

O ex-apresentador do Boi Caprichoso, jornalista Marcos Santos, recapitula a chegada de Arlindo ao bumbá. “1987. Apresentar o Caprichoso era extenuante. Ganhamos, mas o boi saía da arena e os pulmões pareciam querer explodir. 1988, ano de inauguração do Bumbódromo, o Caprichoso ganha Arlindo Jr. De repente, o fardo ficou leve. Foi paixão com a galera ao primeiro “oiiii””, recorda.

Abalado com a perda do parceiro da trilha sonora da vida, o compositor Ronaldo Barbosa, aos prantos, lembra que a última toada cantada por Arlindo Júnior, mesmo com a saúde debilitada, na arena do Bumbódromo, na segunda noite do festival de Parintins 2019, 29 de junho, é “Réquiem – Preces aos Espíritos”, com a mesma pegada de sempre, para se despedir da nação azul e branca, ao som delirante dos instrumentais de teclado.

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