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Trabalhadores relatam impacto econômico sem a realização do Festival Folclórico de Parintins

Foto: Wigder Frota.

Gilson Almeida | 24 Horas
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Por causa da pandemia da Covid-19 Parintins ficará pelo segundo ano consecutivo sem o Festival Folclórico dos bois Caprichoso e Garantido, que acontece no último final de semana do mês de junho, mesmo com o andamento da vacinação contra a doença. O festival é o principal evento cultural que fomenta a economia local. De acordo com a secretária municipal de Cultura e Turismo, Karla Viana, são mais de 80 milhões de reais que deixam de circular no município. Ainda conforme ela, os principais setores que são afetados com a não realização do festival são o turismo, cultura, hospedagem e transporte.

Raye Gonçalves Teixeira, 32, tem um bar localizado na Praça dos Bois há 15 anos, a poucos metros do Bumbódromo, onde acontece o espetáculo do Caprichoso e Garantido, e relata que no período festivo seu estabelecimento chega a ganhar 5 mil reais, tanto que lhe dá condições de contratar novos funcionários temporários para atender alta demanda, porém sem o festival ele ficou sem esse dinheiro extra e a crise gerada pela pandemia fez ele fechar seu empreendimento por um determinado tempo. Como alternativa de buscar algum recurso Raye optou pela pesca, mas o dinheiro que obtinha mal conseguia comprar alimento para sua família devido à alta dos preços. “O festival é uma fonte de renda que toda cidade ganha. Todo mundo está para trabalhar e ganhar seu dinheiro, mas como não teve quebrou todo o mundo. O festival vem para levantar a população com esse dinheiro extra e com a falta dele todo parintinense sentiu”, disse.

Jonathan Ferreira, 24, dono de uma lanchonete também situada na Praça dos Bois, conta que antes ele tinha 8 funcionários e com a crise gerada pela pandemia esse número diminuiu para quatro. Jonathan conta ainda que no período do festival a lanchonete chega a faturar de 10 a 15 mil reais. No ano passado ele já tinha planos para esse dinheiro que era de reformar sua casa, mas foi pego de surpresa com cancelamento do evento cultural e a reforma da sua casa não foi mais possível. “Agora com esses dois anos sumiu esse dinheiro. Graças a Deus a vacina apareceu. Espero que isso acabe logo para voltarmos a um novo normal. Com o fechamento dos bares e lanchonetes para evitar a proliferação do vírus tivemos que nos reinventar como delivery por exemplo, o que não trabalhávamos assim antes, e saber lhe dar com o horário pois tudo fechava cedo e as coisas ficavam todas caras”, desabafa.

Uma das classes que também foi bastante afetada com falta de eventos públicos foi a dos artistas que trabalham nos galpões de alegoria de modo que além de trabalharem no Festival de Parintins muitos deles viajam para o Rio de janeiro e São Paulo para atuarem no carnaval, ambos eventos não são realizados há dois anos por causa da pandemia. “Estamos iniciando o mês de junho, mês especial para todos nós.  Hoje nos deixa com uma imensa saudade. Saudade dessa grande festa, desse grande espetáculo, saudade da parte financeira que nos move e nos estabiliza. São dois anos de festival e para nós é muita coisa. Vamos continuar com a nossa corrente de fé para tudo isso passar logo e voltarmos ao novo normal. Hoje é um sentimento de uma imensa saudade. Tenho certeza que logo vamos estar juntos e estaremos aí para fazer um grande espetáculo novamente”, pontua o artista do Boi Garantido, Glemberg Castro.

A secretária de Cultura e Turismo do município, Karla Viana, diz estar mais esperançosa com a aplicação da vacina para ter o retorno dos eventos culturais. Ela assegura que a prefeitura irá apoiar a Associação dos Artistas Plásticos de Parintins (AAPP) numa amostra virtual de vários seguimentos da cultura que acontecerá de 20 a 30 junho que irá beneficiar o artesanato, artes plásticas e dança de modo que irá ajudar os artistas a comercializarem seus produtos pelo site da AAPP. Em relação ao festival Karla Viana disse que está agendada uma live para o dia 26 de junho em que foi tratada em com o secretário de estado de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo, prefeito de Parintins, Bi Garcia, e com os presidentes dois Caprichoso e Garantido, Jender Lobato e Antônio Andrade, respectivamente. “Infelizmente isso é necessário e é uma maneira de saciar um pouco a saudade do dois pra lá e dois pra cá dos bois Caprichoso e Garantido. Sabemos que é uma falta economicamente para o município, mas que nesse momento fazer dessa forma se faz necessário”, disse.

Além disso, Viana frisa que projetos foram aprovados pela Lei Aldir Blanc para manter essas pessoas com um trabalho e com uma renda, inclusive com alguns projetos no mês de junho ainda em desenvolvimento. “Foram 24 espaços culturais que foram beneficiados. Inclusive lembramos que estamos em processo de prestação de contas e alguns ajustes precisam ser feitos. Já vamos chamar essas pessoas porque dessa prestação de contas de repente outros convênios possam vir para Parintins. Sem falar que são 76 projetos que só serão finalizados quando as aulas voltarem porque por orientação da lei eles precisavam ser feitos em escolas públicas para beneficiar o maior número de pessoas. Com isso aliviamos um pouco essa falta de recurso para cultura. Sem falar que o Estado lançou novamente três editais. Nós vamos, acho que semana que vem, fazer um curso de projetos para capacitar ao menos 40 pessoas, como fizemos da vez anterior em que tivemos duas turmas. Dessa vez teremos só uma turma para as pessoas terem realmente a oportunidade de tentar mais uma vez ajuda. E também vamos ter o edital municipal, que é uma verba que também vem do Estado em que vamos juntar com uma verba nossa para beneficiar o maior número de pessoas. Esse recurso não é somente para Parintins, mas para todos os municípios do interior do estado”, anunciou Karla Viana.

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