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TRAPPIST-1

Fig01: Telescópio TRAPPIST.

O telescópio TRAPPIST, mostrado na fig01, está alojado no Observatório de La Silla do ESO. Recentemente, uma equipa de astrónomos identificou – com o auxílio do TRAPPIST- três planetas que estão a orbitar uma estrela anã.

Fig02: Localização da estrela anã.
Fig02: Localização da estrela anã.

A equipa afirmou que se trata de uma estrela anã muito fria, a qual está arredada 40 anos-luz de nosso planeta. Conforme mostrado na fig02, a “nova” estrela – que recebeu o cognome “TRAPPIST-1” – encontra-se na constelação do Aquário.

Alto lá, qual é a importância desta informação? Acontece que os três planetas que orbitam TRAPPIST-1 possuem tamanhos e temperaturas parecentes às de Vénus e da Terra. E por esta razão aqueles planetas, que orbitam a estrela anã, foram classificados como os melhores alvos até então encontrados para a procura de vida fora do Sistema Solar. O facto de a estrela ser sumamente delgada e pequena foi decisivo para a existência de uma zona habitável naquela região.

Fig03: Comparação entre o Sol e TRAPPIST-1.
Fig03: Comparação entre o Sol e TRAPPIST-1.

Conforme mostrado na fig03, TRAPPIST-1 é uma estrela muito mais fria e vermelha que o nosso Sol, seu diâmetro corresponde a 11% do diâmetro de nosso astro-rei, ou seja, ela é pouco maior que Júpiter. Vale sublinhar que a nossa Galáxia é rica em estrelas anãs, as quais vivem durante muito tempo. Embora esse tipo de estrela seja comum, somente agora que foram descobertos planetas em torno de estrelas desta categoria.

Calma lá, você quer dizer que há possibilidade de vida fora da Terra, como? Para respondermos essa questão temos que avaliar alguns pontos, a saber:

  1. a) a equipa que está à frente deste estudo afirmou ser absolutamente natural o descobrimento de mais planetas a orbitarem estrelas anãs, em outras regiões da Via Láctea. Isso é uma característica de nossa Galáxia;
  2. b) quando os astrobiólogos falam em vida fora da Terra, não pense você que encontraremos um “Brad Pitt” ou uma “Angelina Jolie” em outro planeta, nada disso.

Se for assim, então qual é a utilidade desta informação? É através do estudo de outros planetas com atmosfera que poderemos conhecer mais sobre a nossa. Neste sentido, a maior dificuldade para entendermos melhor nosso planeta é a ausência de outro com as mesmas características que a Terra. Para a Astronomia,  40 anos-luz é bem ali, logo na esquina.

Fig04: Os três planetas a orbitarem TRAPPIST-1.
Fig04: Os três planetas a orbitarem TRAPPIST-1.

E por que somente agora que essa descoberta vem à tona? Simples, pois, a deteção de planetas do tipo da Terra é fortemente dependente da tecnologia actual.

Fig05: Vista frontal do trânsito de um dos planetas em frente à estrela-hospedeira.
Fig05: Vista frontal do trânsito de um dos planetas em frente à estrela-hospedeira.

Na fig05, ao fundo (ponto preto) podemos notar um planeta a transitar a sua estrela-hospedeira (em vermelho).  Logo ao centro da imagem, encontramos o segundo planeta (em fase) e bem à frente, temos uma vista panorâmica do solo do terceiro planeta.

Fig06: Ilustração a mostrar como seria a superfície de um dos planetas que orbita TRAPPIST-1.
Fig06: Ilustração a mostrar como seria a superfície de um dos planetas que orbita TRAPPIST-1.

Nas imagens acima podemos ter uma idéia de como seriam os planetas que orbitam a estrela TRAPPIST-1. Estudos mais detalhados atestam que o período orbital planetário seria 1,5 e 2,4 dias terrestres, respectivamente, para o primeiro e segundo planeta. O terceiro planeta, porém, não teve seu período orbital bem determinado. Acredita-se que seja entre 4,5 a 7,3 dias. De qualquer forma, os baixos valores para o período orbital revelaram que esses planetas estão entre vinte a cem vezes mais próximos da estrela-hospedeira do que  a Terra  se encontra do Sol.

Apesar do entusiamo dos astrobiólogos, a estrutura planetária que foi achada semelha-se mais ao sistema das luas de Júpiter do que ao Sistema Solar.

Entendi, então temos três novos lares. É isso mesmo? Não, não é bem assim. Mas, lá não pode ser um novo lar para nós? Infelizmente a resposta é negativa, haja vista que em  todos os três planetas, que orbitam TRAPPIST-1, a quantidade de radiação que atinge a superfície planetária é muitíssimo menor que aquela que a Terra recebe do Sol. Em outras palavras, são planetas muito frios. Facto que não impede outras espécies de viverem naquele ambiente.

Por fim, graças a vários telescópios gigantes, a Astronomia poderá em um futuro próximo (dentro de 2 anos) estudar a composição atmosférica planetária; certificar-se  da existência ou não de água em exoplanetas; e fazer o mapeamento  de actividades biológicas. Algo é certo: ao se levar em consideração todas as estrelas nas proximidades de nosso Sol, aproximadamente 15% delas são estrelas anãs muito frias. Neste sentido, TRAPPIST-1 é apenas uma pequena amostra do que está por vir.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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