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‘Trocaria de lugar com meu pai’, diz brasileira vacinada contra Covid-19 na Inglaterra

Kerlane Jackman mora no distrito de Stroud há nove anos, com marido e dois filhos. Ela foi a única da família a receber a imunização por trabalhar em uma casa de repouso de idosos.

Receber a vacina contra a Covid-19 é, sem dúvidas, o sonho de muita gente. No entanto, para a amazonense Kerlane Jackman, que mora na Inglaterra, e recebeu a primeira dose da imunização nessa quinta-feira (10), o momento é de alegria e preocupação. Isso porque, apesar de estar na seleta lista de pessoas que já foram vacinadas contra o novo coronavírus no mundo inteiro, ela se mantém preocupada em saber que os pais, que moram em Manaus e são do grupo de risco, seguem sem previsão para receber a proteção.

“É uma tristeza que eu carrego por saber que meus pais não têm esperança em receber essa vacina. Vejo que o governo trata isso com descaso. Meu pai passa dos 70 anos, minha mãe é agente de saúde, os dois continuam trabalhando, se expondo, correndo riscos […] Se me perguntassem se eu queria dar essa vacina para alguém, eu daria para o meu pai. Trocaria de lugar com ele. Eu queria que ele fosse vacinado primeiro”, relatou a amazonense.

 

A preocupação de Kerlane também se estende à parte da família que mora na Inglaterra, já que somente ela foi vacinada. Marido e filhos, não. A escolha foi pela profissão: a amazonense é cuidadora de idosos que sofrem com alzheimer. A previsão para que o restante da família seja imunizada é até o verão do ano que vem, quando o governo britânico espera concluir a vacinação em todo o país.

 

O Reino Unido começou a vacinar sua população na terça-feira (8) com a vacina da farmacêutica norte-americana Pfizer e da empresa alemã de biotecnologia BioNTech. O país europeu é o primeiro a iniciar campanha de imunização com a vacina desenvolvida pela parceria das duas empresas.

“O governo dava semanalmente informações sobre a vacina. Eles também informaram quem seriam os primeiros a tomar, avisando que ia começar pelos funcionários de hospitais, os idosos que lá estavam e depois a área social, que é o meu caso. Aí mandaram uma cartinha pedindo para eu comparecer no posto, preenchi um formulário, perguntaram se eu tinha alergia, se eu tinha tido febre, foi toda uma preocupação. Mas meu marido e meus filhos ainda não tomaram. Eles vão ter que aguardar as cartinhas deles chegarem com a notificação para que possam tomar a vacina também”, contou.

Kerlane é cuidadora de idosos e mora há nove anos na Inglaterra — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Kerlane é cuidadora de idosos e mora há nove anos na Inglaterra — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Enquanto isso, os cuidados a propagação do vírus continuam. Afinal, além de parte da família não ter sido imunizada, Kerlane também precisa esperar a segunda dose da vacina – marcada para o dia 2 de janeiro – para poder respirar mais tranquilamente, conta ela.

“Eles disseram que a primeira dose não é 100%. Ainda posso pegar o vírus. Por isso, é preciso continuar com os procedimentos de lavar as mãos, usar a máscara, manter o distanciamento, higienizar as minhas coisas. No trabalho, continuar usando a roupa de proteção, até a segunda dose, até uma notificação do governo de como será posteriormente”, disse.

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