Uma “Nova Conquista” para os Sem-Teto

“Largar o marido e o filho pela luta de uma moradia. Quem não vende terra, é porque quer casa.” Seria esse o bravo de luta de heróis sem capa e sem identidade secreta? Quem são essas pessoas que pronunciaram palavras tão certas? São palavras de ordem da bandeira hasteada no mastro de suas terras? São tantas as perguntas para responder, “pois então”. Sigamos.

Os ocupantes do bairro Nova Conquista desafiam um sistema estruturado por um discurso aristocrático e midiático, desde o dia 2 de junho de 2016 – data oficial do inicio da ocupação. São vários desafios que todos enfrentam, além de sofrer opressão de um jornalismo subserviente a empresários, também encaram a dura realidade de conviver com um lago que se formou com a agua da chuva e inundou o centro da ocupação.

 A alegação das famílias assentadas é de que a área servia como um local de retirada de terra para aterro, designado para a Lixeira pública e outros locais pertencentes à empresa MCD Carvalho. A partir desses dados os assentados afirmaram que estão buscando acordo para o aterramento da área e o sistema de tubulação para o escoamento da água da chuva que fica retida na área onde ficam vários lotes de terra.

O local está propenso a doenças de contaminação pela água, pois está parada e suja, e o mais agravante é o fato de ainda não existir saneamento básico. Podemos fazer uma reflexão sobre o artigo XXV da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) o qual dispõe que toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de prover o bem estar a si e a sua família, incluindo a habitação como um dos critérios para o alcance do padrão. Na prática esta regra de ter uma “casinha” não se cumpre, assim como tantas outras, enfim, e a vida de “alagados, trenchtown” em Parintins continua.

Há mais de 12 meses na área ocupada Nova Conquista, alguns personagens tomam a frente da luta por moradia no município de Parintins-localizado no baixo Amazonas, divisa com o Pará. A busca de cada um além de uma casa “muito engraçada” é a efetivação do bairro que já está em processo de urbanização.

Uma das marcas é o trabalho autônomo, são bares, barraquinhas de comida, borracharias até venda de flal pra refrescar a “cuca” das mais de 5.000 famílias do local, que carregam o fardo da criminalização.

A busca pelo entendimento pelas questões jurídicas foi uma arma contra os grandes “Leões de rasteira”. De acordo com o art. 6 da constituição federal são direitos sociais a educação, saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e a infância, a assistência aos desamparados. Como é previsto por questões legais, entende-se a luta dos ocupantes, e avisamos uma coisa apenas, se o bicho tentar correr atrás deles, eles matam o bicho.  Ah! mas é a indústria da “invasão”! Então que seja, pois só é pressionando o poder que se consegue alguma coisa, ainda mais pra quem é pobre e não tem pra onde ir. Quem só espera não ganha nada, agora que vai a luta, ou ganha ou aprende, nada se perde.

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