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Única prisão para estrangeiros no Brasil reúne 86 nacionalidades e ensina português

“Aprendi o que nunca imaginei na minha vida. Tudo o que não sabia sobre os outros países, como os africanos ou europeus. Aprendi como eles são. Conheci gente boa, gente ruim, gente de todo tipo que você imagina. É mais uma experiência na vida. Essa experiência eu usarei pelo lado positivo e não negativo”. O depoimento é do libanês Bassam Mohamad Nesser, de 48 anos, um dos 1.165 presos que cumprem pena na única cadeia do Brasil exclusiva para estrangeiros.

A cadeia fica em Itaí, pequena cidade do interior de São Paulo, com 26 mil habitantes. A unidade recebe homens vindos de diferentes países da Europa, Ásia, África, América e Oceania, em um espaço de 13.549 metros quadrados com capacidade para 1.618 presos. São homens de 86 nacionalidades, 31 idiomas e crenças das mais variadas possíveis. Todos com algo em comum: a criminalidade. A maioria dos sentenciados é da Nigéria, e o tráfico internacional de drogas lidera o ‘ranking’ de crimes, com mais de 70% dos presos. Entre eles está o libanês Bassam.

Diferentemente de outros presídios do Brasil, a cadeia é uma das sete do estado de São Paulo que tem a população carcerária abaixo de sua capacidade e, apesar das profundas diferenças culturais entre os presos, a unidade registrou sua última rebelião em 2014.

Por ser um lugar em que há uma mistura de credos, raças, nacionalidades e idiomas, a penitenciária possui uma biblioteca que tem mais títulos em outros idiomas do que a biblioteca municipal de Itaí, por exemplo. São 21 mil livros em 38 idiomas, enquanto a biblioteca da cidade tem apenas dois mil livros em dois idiomas.

O perfil dos presos também é diferente das demais cadeias. A maioria deles tem idade média entre 30 e 45 anos. Todos têm a oportunidade de trabalhar ou estudar na própria unidade, e precisam ignorar as divergências religiosas para conseguirem cumprir o cárcere com tranquilidade e se esforçarem para manter um clima de união.

Do g1

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