Universitário indígena é preso pela Guarda Municipal durante manifestação em Boa Vista

Um estudante indígena foi preso pela Guarda Civil Municipal durante um protesto de alunos da Universidade Federal de Roraima (UFRR) na tarde dessa dessa quinta-feira (9), na praça do Centro Cívico, em Boa Vista.

O jovem foi preso porque acertou o parabrisa de um ônibus do transporte coletivo com uma baqueta para surdo, que é um instrumento de madeira para bateria e percussão. A intenção dele, segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), organizador do protesto, era parar o veículo para que ele não avançasse nos manifestantes.

Na ação do estudante, o parabrisa do ônibus foi trincado. De acordo com a presidente do DCE, Letícia Barbosa, os manifestantes caminhavam pela avenida Ene Garcês, quando o motorista do ônibus tentou avançar contra eles.

Após o desentendimento, o grupo seguiu até a praça do Centro Cívico. No local, o estudante foi abordado pela Guarda Municipal.

Imagens feitas pelos estudantes registraram o momento em que uma viatura da Guarda Municipal chegou no local e seguiu em direção ao jovem, já rodeado por outros agentes. Em seguida, ele foi imobilizado. Primeiro, colocaram as mãos dele na cabeça, depois para trás. O aluno é indígena do povo Wapichana e cursa psicologia na UFRR, segundo o DCE.

Durante a ação, os manifestantes pedem calma aos agentes da Guarda e afirmam que ele é um estudante. Alguns formam uma espécie de “corrente” humana ao redor dos agentes, enquanto outros alertam que “vão soltar gás”.

“Repudiamos a ação truculenta da Guarda Civil Municipal de Boa Vista. Os estudantes estavam nas ruas denunciando os cortes do Governo Federal na Educação, exercendo o direito de livre manifestação, não houve atitude do estudante que justificasse o uso da força pela Guarda Civil Municipal. Repudiamos também a atitude do motorista de avançar com o ônibus nos manifestantes”, acrescentou.

Em nota, a prefeitura de Boa Vista, responsável pela Guarda Municipal, informou que “estava acompanhando a manifestação, assim como outros órgãos de segurança, e o jovem em questão jogou uma pedra em um ônibus, quebrando o vidro do veículo, e por essa razão, foi detido e conduzido à delegacia competente.”

Segundo Letícia, os agentes justificaram a prisão afirmando que o jovem havia “causado prejuízos ao bem público” e usaram spray de pimenta para conter os demais manifestantes. Eles foram informados pela Guarda que prejuízo causado ao ônibus foi de R$ 1,2 mil.

Na manifestação havia um advogado que acompanhou a condução do universitário até o 5° Distrito Policial, para onde ele foi levado. Segundo o DCE, ele teve assistência jurídica do Conselho Indígena de Roraima e da universidade.

Procurada, a Polícia Civil não informou qual foi o procedimento adotado contra o estudante até a última atualização da reportagem.

Cortes no MEC

A manifestação dessa quinta-feira (9) é uma reação aos bloqueios anunciados pelo governo federal. No mês passado, o MEC divulgou redução de R$ 3,2 bilhões nos repasses às instituições. Neste mês de junho, informou que o corte foi diminuído para R$ 1,6 bilhão.

Os bloqueios no orçamento das universidades e institutos federais foram anunciados em 28 de maio. O valor inicial era referente a 14,5% da verba das instituições para despesas de custeio e investimento.

O total fazia parte do orçamento discricionário, ou seja, os valores que cada universidade pode definir como aplicar, excluindo despesas obrigatórias, como salários e aposentadorias de professores.

O governo diz que o contingenciamento é necessário para cumprir o teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas públicas.

No entanto, em 3 de junho, o o MEC desbloqueou cerca de metade do valor, R$ 1,6 bilhão. A medida foi anunciada pelo ministro Victor Godoy, em uma publicação no Twitter.

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