Vereador clama por ação conjunta de saúde para povo Sateré-Mawé de Parintins contra Covid-19

Reivindicação propõe parceria entre Semsa, Vigilância em Saúde, Funai e Dsei Parintins para proteção de 327 famílias indígenas

Parintins (AM) – Na sessão virtual desta quinta-feira (18), o vereador Tião Teixeira (DEM) apresentou sugestão para cooperação técnica entre a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Vigilância em Saúde, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) para proteção do povo Sateré-Mawé contra a Covid-19, que já chegou a 120 comunidades rurais de Parintins. A propositura, direcionada ao Comitê Municipal de Enfrentamento ao Coronavírus, será votada na sessão ordinária de segunda-feira (22).

A solicitação feita pelo parlamentar durante a sessão, em caráter de urgência, atendeu a um ofício do coordenador local da Funai, Sérgio Butel, para reivindicar ação conjunta da Semsa e Vigilância em Saúde com o Dsei Parintins, em prol a 327 famílias indígenas, nos rios Uaicurapá, Mamurú e Maricuã. O vereador justificou que a Terra Indígena Andirá/Maraú possui essa população Sateré-Mawé dividida em sete aldeias no município de Parintins, duas em Juruti e uma em Aveiro, no estado do Pará.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Parintins argumentou que, em três meses de pandemia, não houve nenhum tipo de ação preventiva, a não ser por parte do Dsei que possui um polo base de saúde indígena na aldeia São Francisco, no Rio Uaicurapá. De acordo com Tião Teixeira, a preocupação aumenta ainda mais, devido à ausência de barreira epidemiológica na entrada da Terra Indígena na calha do Rio Uaicurapá, onde existem casos confirmados de Covid-19 nas aldeias.

Para o vereador, essa é uma situação muito grave, por falta de restrição de acesso fluvial, com a presença permanente de uma equipe de saúde para o monitoramento de indígenas ou de brancos. “Com esse trânsito livre, até o momento, já existem casos de Covid-19, felizmente sem o registro de óbito, nas aldeias Sateré-Mawé no município de Parintins, com abrangência ainda de três comunidades indígenas localizadas no oeste do estado do Pará”, alertou o vice-presidente da Câmara Municipal de Parintins.

Tião Teixeira defendeu que a união de esforços entre Semsa, Vigilância em Saúde, Funai e Dsei seria uma maneira eficiente para barrar novos casos de coronavírus nessa população vulnerável. “O indígena, naturalmente, tem histórico de baixa imunidade e a maior taxa de mortalidade ocorre em função de doenças respiratórias. Uma iminente contaminação em massa, em uma aldeia, poderia colocar em risco o sistema público de saúde local e resultar em mortes de pacientes indígenas”, apontou.

O vereador citou o exemplo da barreira epidemiológica de Barreirinha, na entrada do Rio Andirá que, em 90 dias de atuação, é responsável pelo índice zero de casos de Covid-19 em 62 aldeias Sateré-Mawé, onde vivem cerca de oito mil indígenas. “Por isso, essa cooperação técnica entre a Prefeitura de Parintins, Funai e Dsei visa também intensificar o número de testes rápidos, com entrega de kit de medicamentos para tratamento aos casos confirmados sintomáticos, isolamento, quarentena e orientações de educação em saúde”, enfatizou.

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