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Violência assusta moradores de Coari

Moradores de Coari (a 363 quilômetros a oeste de Manaus) apontam viver em constante tensão devido à falta de segurança na cidade. A Polícia Civil de Coari informou ter registrado 30 homicídios, até esta sexta-feira (21), sendo 90% dos assassinatos relacionados ao tráfico de drogas. Os comunitários da cidade alegam que muitos sofrem com o desemprego e alguns partem para o tráfico, aumentando a onda de criminalidade.

De acordo com o delegado de Coari, Mauro Duarte, a quantidade de assassinatos registrados este ano é expressiva, já que, em todo o ano passado, foram registrados 50 homicídios pela Polícia Civil local. Segundo uma estimativa do delegado, este ano, foram registrados 4 mil Boletins de Ocorrência de crimes, como homicídios, roubos e furtos. “É difícil a situação e o problema é o tráfico de drogas, que está presente na motivação de 90% dos homicídios”, apontou Duarte.

Conversando com moradores de Coari, a reportagem percebeu o medo que os comunitários sentem em falar sobre a insegurança da cidade. Alguns evitaram até ser identificados por temer represálias. Um desses é um mecânico, de 53 anos, que pediu para não ter o nome divulgado. Com medo de falar sobre o assunto, mesmo por telefone, o morador de Coari disse temer pela própria vida. “A gente tem que se esconder, como se fosse bandido. É uma cidade muito perigosa”, afirmou.

Um estudante universitário, de 20 anos, que também pediu para não ter o nome divulgado, esteve na cidade a trabalho essa semana. Ele afirmou ter ouvido que a insegurança é o pior problema do município. “A falta de segurança e o desemprego levam muitos a partirem para o caminho da violência”, disse o estudante, sobre a busca por subsistência de moradores no tráfico de drogas e na prática de roubos.

Sobre o desemprego, a Secretaria de Comunicação de Coari informou que uma das ações para combater esse problema são as 60 obras de revitalização em espaços públicos da cidade que, conforme a secretaria, gerou quase 700 empregos diretos que devem durar até o início do mês de agosto.

De acordo com um dos líderes religiosos da cidade, o padre Valdivino Araújo, que também é coordenador de pastoral da Diocese de Coari, a praça da cidade, onde está localizada a Catedral de Sant’Ana e São Sebastião, é um dos principais locais onde acontecem roubos e homicídios. Segundo o padre, não há diferença entre bairros de Coari e o sentimento de insegurança é comum em todas as áreas da cidade. “A gente sabe que o Brasil inteiro sofre com falta de segurança, mas Coari é demais”, disse o religioso.

A reportagem procurou a Secretaria de Segurança e aguarda resposta.

Por Girlene Medeiros |  d24

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