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Exoplanetas

Fig01: Demais planetas descobertos.

Faz tempo que  esta coluna tem chamado atenção para as descobertas de Kepler [conferir https://www.parintins24hs.com.br/kleper-223/]. Novamente, a missão Kepler volta a surpreender. Seja sincero, caro leitor: quantos planetas você acha que existe fora do Sistema Solar?

A resposta poderá deixá-lo assustado, porém, foram encontrados 4.696 candidatos ao estatuto de “planeta”. Recentemente, o Kepler confirmou a existência de 1.284 novos planetas. Com números tão expressivos, esta missão passa a ser a maior descoberta planetária até o momento.

Fig02: Sonda Kepler.
Fig02: Sonda Kepler.

O anúncio dos resultados da missão Kepler foi feito pela própria NASA e desde já agitou os bastidores da Astrobiologia. Aliás, o número de planetas divulgado é bem superior ao doblo do que se esperava. E assim, renova-se a esperança de que algures e arredor de uma estrela similar ao Sol, possamos encontrar outra Terra.

Alto lá, qual a importância de se achar outro planeta literalmente igual ao nosso? Gostei da pergunta, mas, a resposta é recheada de inúmeras actitudes tristes de nossa parte, seres humanos. Resumidamente falando, nós poluímos nossas águas, criamos danos irreparáveis à camada de Ozono e, agora, comprometemos a saúde de nosso Planeta. A questão não é encontrar vida inteligente lá fora.  Esta bem, você quer me convencer que teremos que mudar de planeta para vivermos? Não, não é tão simples assim. Explico: as acções humanas mais danificaram a que ajudaram a conservar e preservar a vida no Planeta Terra. Embora as mesmas acções sejam irreversíveis, há uma chance para que a própria humanidade possa aprender. A ciência humana somente consegue estudar um objecto se a mesma estiver a analisar o objecto de estudo sem interagir com o mesmo. No caso da Terra, até então, as análises foram levantadas tomando o nosso próprio lar como objecto de estudo. Caso encontremos outro planeta, idêntico ao nosso, poderemos desta forma analisá-lo sem interagir com o mesmo, e então, finalmente propor algo que beneficie a interacção humanidade e Planeta Terra.      Lembre-se, dos 1.284 novos planetas confirmados pelo Kepler, o mais perto dista 500 anos-luz  da Terra. A considerar que um ser humano  vive até os 100 anos de idade e que  nenhum homem consegue viajar à velocidade da luz, então, “mudar” de planeta  é uma questão  completamente fora de cogitação.

Para chegar ao número acima, os astrónomos usaram o catálogo de julho de 2015, que é composto por candidatos a planeta previamente seleccionados pelo Kepler, em um total de 4.302 potenciais planetas. Após as devidas análises e a considerar o mínimo necessário para que um astro receba o estatuto de “planeta”, então, de 4.302 candidatos, 1.284 apresentaram uma probabilidade superior a 99%  para o estatuto de planeta, 1.397 candidatos  também provavelmente são planetas, porém,  com probabilidade menor que 99%.  Além dos já confirmados e daqueles que serão confirmados após uma segunda análise (para os 1.397 candidados, a confirmação é questão de tempo), Kepler também bateu o martelo para 914 candidatos que ainda estão no páreo pelo estatuto de planeta.  Porém, 707 candidados daqueles 4.302 candidatos a planeta foram descartados, tratando-se assim de outros fenómenos astrofísicos.

Segundo a equipa de astrónomos da NASA, eles não sabiam se exoplanetas eram raros ou comuns na Galáxia. Kepler mostrou que podemos ter mais planetas a que estrelas na Via Láctea.

Você está a falar muito desse Kepler,  afinal, como ele funciona? Excelente pergunta. O Kepler captura os sinais discretos de planetas muito, muito distantes. E ele consegue isso graças às diminuições de brilho que ocorrem quando os planetas passam em frente (ou transitam) suas estrelas-hospedeiras. Facto semelhante ao que aconteceu quando houve o trânsito de Mercúrio pelo Sol (no dia 09 de maio de 2016) [fenómeno que o NEPA/UEA/CNPq mostrou para Parintins].

Há mais de duas décadas, desde a descoberta dos primeiros exoplanetas que os astrónomos recorrem a uma verificação de potenciais candidatos ao estatuto de planeta. Dos 1.284 planetas confirmados, aproximadamente 550 podem ser planetas rochosos, tal qual a Terra. Aliás, são pequenos tanto quanto. Dos 550, apenas nove (09) orbitam sua estrela-hospedeira na zona habitável.

Este resultado tem impacto directo nas missões espaciais e também na Astrobiologia. Por fim, dos 4.696 candidatos a planetas encontrados, 3.285 são definitivamente planetas. Detalhes: esse número poderá aumentar; e os 4.969 candidatos a planeta são referentes  aos estudos de uma zona específica do céu, não  o cobrindo em sua totalidade, falta estudar ainda 95% da região celeste; este estudo somente levou em consideração planetas  do tamanho da Terra e super-Terras.

Fig03: Número de descobertas planetárias por ano.
Fig03: Número de descobertas planetárias por ano.
 Fig04: São planetas ou estrelas a imitarem o comportamento de um planeta.

Fig04: São planetas ou estrelas a imitarem o comportamento de um planeta.

A figura 03 mostra um histograma no qual é revelado o número de planetas descobertos a cada ano. A barra em laranja refere-se aos 1.284 planetas descobertos e validados pelo Kepler.  As barras em azul referem-se às descobertas de outras missões.

 A figura 04 esboça  movimentos nos quais  há um  ambiguidade,  a saber:  não se tem a certeza de que se trata de um planeta que está a transitar uma estrela ou se  é uma estrela menor que está a transitar uma estrela maior. Nesse caso, o Kepler terá que  reavaliar  os dados  e realizar uma apuração mais detalhada antes de emitir qualquer parecer. Na figura 01, está uma concepção artística divulgada pela NASA de como são os alguns dos 1.284 planetas confirmados.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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