Manifestação tenta manter “vivo” Hospital Padre Colombo

Manifestantes levaram cartazes e nariz de palhaço. Fotos: Carlos Alexandre

Manifestantes invadiram as ruas de Parintins e seguiram até a câmara onde cobraram providências para manter a unidade de portas abertas.

Da Redação | Parintins 24 horas

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“Vem vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. A canção de Geraldo Vandré conduziu os manifestantes que tentam sensibilizar o governo do Estado do Amazonas para socorrer o Hospital Padre Colombo que há 40 anos atende a população de Parintins, de alguns municípios do baixo Amazonas e algumas cidades do Oeste do Pará e hoje amanheceu de portas fechadas. (ver link aqui: https://www.parintins24hs.com.br/hospital-padre-colombo-de-portas-fechadas/)

O couro foi ouvido por populares que se uniram aos servidores da unidade de saúde e com cartazes, gritos, panelaço, nariz de palhaço e um carro de som seguiram até a Câmara Municipal de Parintins (CMP).

– Essa população nasceu lá. Esse hospital tem mais de 40 anos servindo essa comunidade e outras cidades próximas de Parintins. Eu trabalho nesse hospital há 16 anos e nunca vi uma situação dessas. Estou falando porque sou parintinense e todo o parintinense que se preze precisa ter uma boa saúde, um bom atendimento, precisa chegar num hospital que pelo menos esteja de portas abertas, desabafou o auxiliar de enfermagem Jair Oliveira.

Funcionários, servidores, acadêmicos da Uea entre outras pessoas engrossaram o apelo em prol ao HPC. Foto: Judson Lima
Funcionários, servidores, acadêmicos da Uea entre outras pessoas engrossaram o apelo em prol ao HPC. Foto: Judson Lima

Ele continuou:

– Nós não estamos aqui solicitando só que se abra o hospital, mas estamos precisando de condições de trabalho, de medicamentos e que todos nós possamos passar uma medicação adequada aos pacientes. Os servidores da saúde aprenderam a tratar bem da saúde da população e é por isso estamos aqui, afirmou o servidor que também é representante dos servidores públicos federais do Amazonas.

O técnico de enfermagem Augusto Pereira lembrou que a cidade já vive clima de eleições municipais e lembrou das consequências do voto sem responsabilidade.

– Isso aqui não é politicagem. O hospital é uma necessidade do povo. Isso aqui é consequência daqueles que negociam seu voto a troco de vinte reais e de gasolina. Voto não tem preço. Tem consequência e isso é a consequência de quem vende o seu voto”, disse.

A técnica de enfermagem Miraci de Souza demonstrou revolta e tristeza com o fechamento da unidade de saúde pelo não cumprimento do convênio entre a Diocese de Parintins e o Governo do Estado do Amazonas.

– A população de Parintins necessita dos atendimentos de urgência, emergência, ambulatório e da parte clinica do Hospital. Mas não é só isso, são dezenas de pessoas que ficarão desempregadas com o fechamento do hospital. Serão mais desempregados na cidade, disse a mulher que há 11 anos atende no Padre Colombo.

Na Câmara

Os manifestantes cobraram dos vereadores atitudes para tentar manter o Hospital Padre Colombo de portas abertas. O vereador Juliano Santana (PDT) que esteve na sessão ordinária desta terça-feira, 12, como presidente interino da casa reuniu com cinco dos líderes da manifestação.

– Nós vamos tomar as providências com um documento a ser encaminhado a Secretaria de Estado da Saúde (SUSAM) assinado por todos os vereadores, anunciou o vereador Santana.

O parlamentar lembra que foi um dos primeiros a se manifestar sobre o problema, mas sofreu com as criticas de grupos políticos. Um a um os vereadores presentes na sessão se manifestaram sobre o assunto. O vereador Rildo Maia (PMDB) pediu o cumprimento das responsabilidades do estado.

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– O governo do estado tem que ter a responsabilidade de cumprir com o seu convênio e olha que foi alegado que o hospital não tinha feito à prestação de contas e isso é uma inverdade, pois o hospital padre Colombo fez a prestação em tempo hábil.

O vereador Nelson Campos, presidente da comissão da saúde do poder legislativo, destacou o manifesto como reivindicação justa, pacifica e cobrou repostas do poder público. O vereador Mateus Assayag (PR) lembrou que em 2011 o governo do estado não repassou os valores do convênio.

– Isso vem desde 2011 quando lá atrás o governo do estado não repassou os sete meses do convênio e isso daí foi criando uma bola de neve grande e que agora está ficando sem controle. O que era complicado hoje está se tornando um caos.

O vereador Maildson Fonseca (PSDB) apresentou requerimento solicitando que o governo do estado esclareça sobre o não pagamento dos retroativos de 2011. O documento foi aprovado para que a Secretaria de Estado da Saúde (SUSAM) pague o retroativo que ultrapassa a R$ 800 mil. Ele também informou que recebeu do secretário de estado a informação de que os recursos serão liberados o mais breve possível.

– Eu espero que ele não esteja mentido, cobrou o parlamentar.

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Para lembrar

A diocese de Parintins e a direção do Hospital padre Colombo anunciaram em coletiva de imprensa realizada no sábado, 9, o fechamento da unidade de saúde, pois desde fevereiro o governo não cumpre com o repasse de R$ 820 mil do convênio com a diocese. Hoje a unidade amanheceu de portas fechadas com cadeado nas portas e apenas atendimento interno.

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