PMs são condenados pela Auditoria Militar por envolvimento em furto de agência bancária, em Parintins

Foto: Divulgação/Alan Chagas

Gilson Almeida | 24 Horas
[email protected]

Parintins (AM) – O tenente PM, João Rosário de Almeida e Silva Júnior, e o major PM Bruno Dayvison Lima de Sales, foram condenados pelo juiz de Direito da Vara da Auditoria Militar do Tribunal de Justiça do Amazonas, Alcides Carvalho Vieira Filho, a 10 e 08 anos de reclusão, respectivamente, por envolvimento no furto do Banco da Amazônia, ocorrido dia 14 de abril de 2019, em Parintins. Foram subtraídos mais de R$ 100 mil da agência bancária.

As penas serão cumpridas em estabelecimento militar adequado sob regime fechado, devendo os condenados a permanecerem em alojamentos até que percam a condição de policiais militares, quando deverão ser transferidos para um estabelecimento penal.

Ainda segundo a auditoria, as provas dos autos constituem ao menos indícios de conduta delituosa por parte do ex-comandante do 11° Batalhão da Polícia Militar de Parintins, o coronel Luiz Alberto Passos Navarro.

Conforme a sentença, os indícios chegaram a ser fomentados pela própria acusação, constando declaração do comandante-geral de que o referido oficial não foi convocado e se ausentou da cidade de Parintins mesmo sabendo da expectativa criminosa, de alta e relevante gravidade, concretizada nas informações que lhe foram passadas pelo soldado, Tarcísio Brito da Silva, cujo número de telefone celular foi bloqueado por Navarro, a qual incumbia providência direta para evitar o crime, minar a tentativa ou prender em flagrante os autores do furto.

Ainda de acordo com o documento, o oficial omitiu informações preciosas para que o subcomandante, o capitão Ricardo Viana, pudesse empreender diligências como seu substituto, fazendo o que ele não fez, dando a ideia de comportamento omisso, de colaborador, ou do elemento subjetivo do injusto para prevaricar.

O juiz pede que o Ministério Público do Estado do Amazonas analise o possível envolvimento de outro militar que não teve o nome divulgado.

Em contato exclusivo com o Portal Parintins 24 Horas, o agora comandante da Polícia Militar da Zona Sul de Manaus, Luiz Alberto Passos Navarro, informou que a equipe passou a trabalhar sobre o caso desde o recebimento da denúncia do possível furto da área comercial.

“Nós tomamos providência juntamente com o capitão Viana. Nós colocamos a Força Tática, as viaturas nos bancos e na área comercial, essas foram as demandas que repassei ao Viana tendo em vista que eu teria que sair pois haveria uma reunião na segunda-feira para tratar do festival e também uma possível reunião com o prefeito, com o governador que tinha acabado de assumir o governo e a agenda estava marcada para Parintins conforme o cronograma que ele teria feito”, disse.

O oficial relatou que após isso ele ligou para o comadante-geral da Polícia Militar informando sobre a reunião que seria tratado também sobre a reforma da sede do Batalhão e demais setores da segurança pública, convidando o mesmo para participar.

“O que consta nos autos aí é que o comandante apenas informou que não houve uma convocação, nem uma oficialização minha, nem uma chamada minha do comando. Na verdade era eu indo em direção ao comando, saindo de Parintins já que tinha deixado todas as informações, todo o planejamento desse possível furto. Não havia muitos dados, apenas algumas mensagens, não tinha nomes de quem poderia ser e nem o local. Só posteriormente apareceu. Isso tudo foi repassado, na época, para meu subcomandante o capitão Viana”, relatou.

Navarro falou também que acompanhou por telefone todas as operações e não foi possível evitar o furto ao Banco da Amazônia devido o envolvimento dos policiais. “Eu, já em Manaus, soube das prisões, retornando no próprio domingo (14 de abril de 2019) para Parintins. Informei o comandante-geral, ele mandou uma aeronave para levar eu, o delegado da DRCO (Departamento de Repressão contra o Crime Organizado), uma equipe da corregedoria, uma equipe de investigação da DRCO para continuar com essa ocorrência tendo em vista que o tenente estava foragido”, falou.

“Na segunda-feira conseguimos a localização do tenente. Eu mesmo, comandante do Batalhão, me desloquei juntamente com a Força Tática até o local e fiz a prisão do tenente em uma pousada. Eu fui o condutor e apresentei o tenente preso. Isso está no processo, inclusive estou como testemunha do Ministério Público, não como réu”, prosseguiu.

O comandante afirma também que não houve omissão de informações ao capitão Viana. “Eu apenas recebi um prints do policial que recebeu a mensagem. Um prints cortado que não dava para identificar quem foi que mandou a mensagem, não tinha nome, apenas o texto da mensagem. Então dessa mesma forma foi repassado esse prints ao capitão Viana onde não dizia nomes de possíveis pessoas que mandaram a ocorrência”, concluiu.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do tenente e do major para se pronunciarem.

Confira o documento:

diario

Com informações do jornalista Fernando Cardoso/Alvorada

você pode gostar também