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Trappist-1 (Parte 2)

Figura 01: Representação artística do Sistema Estelar TRAPPIST-1

Exactamente na semana que antecedeu ao Carnaval, muitas pessoas  se manifestaram nas redes sociais  sobre o pronunciamento feito pela NASA a respeito da  descoberta de um Sistema Estelar composto por sete planetas, que foi denominado por Trappist-1                    (ver figura 01).

Entretanto, para quem está a acompanhar  a nossa Coluna de Astronomia, esse tema não é  novidade. Afinal,  em junho de 2016 já havíamos adiantado  esse assunto (em primeira mão) para  nossos leitores (conferir a matéria publicada dia 08/06/16 https://www.parintins24hs.com.br/trappist-1/ ).  A confirmação de TRAPPIST-1 foi feita com a ajuda do Telescópio Espacial Spitzer (vide figura 02).

Figura 02: Telescópio Espacial Spitzer.

A alcunha TRAPPIST-1 é uma referência  ao telescópio TRAPPIST (do inglês, Transiting  Planets  and Planetesimals Small Telescope), o qual encontra-se  no Chile.

Figura 03: Telescópio TRAPPIST, instalado no Chile.

Uma característica fascinante do Sistema Estelar TRAPPIST-1 é que todos os exoplanetas que o compõe apresentam tamanhos similares ao do nosso planeta Terra. Além disso, dos sete exoplanetas, três foram encontrados na zona habitável, isto é, em um região onde é mais provável a existência de água líquida na superfície de um planeta rochoso. Para fins de registo, esta é a maior quantidade de planetas encontrados em um zona habitável, no caso de sistemas uniestelares. Em particular, a questão levantada a certa da existênciaou não  de água líquida na superfície desses exoplanetas basicamente dividiu as opiniões entre os astrónomos. Há quem afirme que, em princípio, a existência de água líquida seria completamente possível nos sete planetas”. Por outro lado, há  quem seja mais realista e afirme que uma constatação destas somente  nos três  exoplanetas  que estão na zona havitável já seria uma grande vitória para a ciência e um grande passo para a Astronomia. Vale lembrar que  a existência de água líquida na superfície de exoplanetas somente  se torna fundamental para a vida, tal qual a conhecemos, se e somente se   esta substância estiver em certas  condições atmosféricas  “ideais”.

 Apesar de toda a comemoração, vale salientar ainda que não estamos somente a buscar “outras vidas”, nada disso. A descoberta de planetas similares à Terra foi uma grande revelação. Afinal, até dias atrás pensávamos que a Terra fosse filha única. Hoje, a percepção é um bocadinho diferente.  O entendimento é que planetas tipo-Terra são muito comuns. Dito em outras palavras, esta é a maior oportunidade que a raça humana para olhar outro planeta e aprender a cuidar melhor do nosso lar: Planeta Terra. Evidentemente que a cada confimação de planetas rochosos presentes em zona habitável conduz-nos à discussão sobre lugares “alternativos” para a vida. A equipa do NEPA/UEA/CNPq também opinou sobre o assunto, afinal o NEPA está engajado em um projecto vinculado à NASA, o qual aborda análise de exoplanetas.

“Segundo a jovem pesquisadora do NEPA, Ádrian Kelly Cardoso Melo, de facto essa descoberta   é muito significativa para a Astronomia e para a percepção que o  homem tem a respeito do que há em volta dele. Certamente a descoberta de um Sistema Estelar bem próximo de nós traz consigo  uma inquietação muito grande, afinal, o “Universo ficou um bocadinho mais cheio, não é mesmo?” Tomando como base o projecto do ano passado “Astrobiologia”, creio que  a parte mais preocupante – neste exacto momento – seja a maneira na qual essas informações chegarão  aos estudantes. Vale lembrar que  a actual reforma no Ensino Básico atinge  disciplinas tais como: Filosofia, Sociologia, História e Geografia, consequentemente,  a  formação básica dos estudantes e a maneira como eles irão interagir  com  as  descobertas da ciência estão  seriamente comprometidas.”

“Para  Andreila de Souza e  Souza, também jovem pesquisadora do NEPA,  as pessoas não devem perder  o  aspecto “mágico”, ou dito em outras palavras, que não percamos  o aspecto “sagrado” da criação. O facto da humanidade tomar ciência da existência de outros planetas similares à Terra é algo positivo. Entretanto, deixarmos de acreditar que nosso planeta é um lugar especial é algo perigoso. Na literatura, sempre encontramos   contos nos quais há a descrição de um lugar especial.  Cito por exemplo a obra           “Le Petit Prince” de Saint-Exupéry, onde o “Principezinho” descreve seu planeta como algo “mágico”, “sagrado”, ambiente com o qual ele mantem uma conexão muito especial. Neste mesmo sentido que eu acredito que deveríamos pensar.  Se hoje, agora, encontrássemos um outro planeta igual à Terra em tudo: mesma atmosfera, mesma massa, com habitantes, e outras cousas mais. Mesmo se isso acontecesse, nada poderá tirar de nós a nossa individualidade, a nossa cultura, a nossa maneira de expressar nossos sentimentos e a maneira como nós nos identificamos com nosso planeta Terra.”

“Para Lorena dos Santos Brito, jovem pesquisadora do NEPA, não somente a existência da água em estado líquido, mas também, as condições ideais para que a “Vida” possa surgir – do ponto de vista Astroquímico –  têm que ser levados em conta. Vale sublinhar que até alguns dias, a Física era uma das poucas ciências que extrapolaram o planeta Terra. Hoje, comemoramos também a universalidade da Química, Ciência tão importante quanto às demais para nos ajudar a entender como se deu o processo de resfriamento da Terra e do nosso Sistema Solar. Agora, temos um Sistema Estelar inimaginável, pois de maneira fantástica os sete planetas que compõem o Sistema TRAPPIST-1 são similares à Terra, tanto do ponto de vista físico quanto químico.”

“Taíres Nascimento de Souza, pesquisadora do NEPA, sublinha que o questionamento a respeito de outros planetas similares à Terra, assim como, se há ou não outros “povos” não é único e exclusivo do homem moderno. Muitos relatos de povos indígenas apontam que os próprios indígenas também já perceberam essa possibilidade em uma época na qual nem se falava de telescópio e nem de  nave espacial. Entretanto, os povos indígenas não se corromperam, optaram por preservarem a conexão entre o ser e a natureza – a mãe “Terra”, a Gaia. Para eles – os indígenas – certamente a idéia em termos vários “mundos” não é assustadora, muito menos causaria neles algum temor. É engraçado ler o termo “descoberta” nos textos nas redes sociais e midiáticos em geral. Nada foi descoberto. Para os indígenas, os planetas e as estrelas estavam lá o tempo todo.  O que fizemos foi uma constatação, uma confirmação  e não uma descoberta. Assustador para mim é notar que o homem moderno (com tanta tecnologia e ciência) somente consegue confirmar aquilo que os povos indígenas dantes haviam percebido.”

Estas quatro  jovens pesquisadoras, que integram o NEPA/UEA/CNPq,  mostram a força e o engajamento da mulher brasileira  na  Ciência e Pesquisa.  São quatro trabalhos ousados que, sob a orientação do Dr. Nélio Sasaki,  foram inscritos  para o maior evento científico do Brasil, a saber: a  Reunião Anual da SBPC, que esse ano está em sua 69ª edição e ocorrerá em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. De maneira rápida, a Ádrian Melo trabalha na interface História e Astronomia, a Taíres Nascimento   aborda a temática Astronomia Indígena, Lorena Brito está à frente da Astroquímica e Andreila Souza está a apresentar a Astrolinguagem. Da equipa de 2016, Ádrian Melo está em seu segundo projecto internacional (em 2016, ela participou do projecto intitulado “Astrobiology” que fora apoiado pela União Astronómica Internacional e pela UNESCO). Taíres  Nascimente esteve à frente das actividades que o Planetário Digital de Parintins desenvolveu  na ilha, graças à parceria envolvendo o  NEPA e o SESC Parintins. Andreila Souza e  Lorena Brito seguem para o primeiro ano no  projecto. Dentro da diversidade do NEPA, nota-se que  há espaço para  estudantes oriundos de toda e qualquer natureza de formação.  Ainda em março de 2017,  o NEPA estará a divulgar a equipa NEPA GANS, a qual ficará responsável pelas acções extensionistas  e pela difusão e Ensino de Astronomia. Dentre os projectos que o NEPA esteve envolvidos em 2016, como dissemos acima, o “Astrobiology” teve grande relevância e impacto. Actualmente, Dr. Nélio Sasaki está a responder pelas questões que deram frutos do trabalho do ano passado, tanto que será ele mesmo quem apresentará o banner na SBPC em BH. Uma das  questões que  nós do NEPA/UEA/CNPq abordamos ao longo de 2016 foi justamente  o entendimento do processo de formação  e  possibilidade de  vida em exoplanetas  recém “descobertos”. Para que nós tenhamos uma idéia,  até o presente momento, do ponto de vista da astrobiologia,  nós temos  4.696 candidatos a planetas, destes 3.453 já foram confirmados como exoplanetas. Dentre os 3.543 exoplanetas, 352 são tipo-Terra. Até a presenta data, os astrónomos já catalogaram 2.577 Sistemas Estelares.

Figura 04: Localização de TRAPPIST-1, na constelação de Aquário. Cortesia do Planetário Digital de Parintins.

A figura 04 mostra a localização do Sistema Estelar TRAPPIST-1, distante 39,46 anos-luz da Terra. Embora essa distância seja – em termos de Astronomia- relativamente pequena, vale ressaltar que os planetas que compõem TRAPPIST-1 estão todos fora do Sistema Solar e por esta razão receberam a alcunha de exoplanetas. Vamos conhecer o Sistema TRAPPIST-1?

Figura 05: Comparação entre o tamanho do Sol e o da estrela TRAPPIST-1.

 

Figura 06: Sistema Estelar TRAPPIST-1.

Os sete planetas do Sistema Estelar TRAPPIST-1 foram denominados por letras, a começar pela letra “b” e assim vai até a letra “h”.

Figura 07: Distribuição dos Planetas no Sistema Estelar TRAPPIST-1.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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